Sindicato da construção quer aumentos para travar saída de trabalhadores qualificados

22 de agosto 2023 - 13:53

Este sindicato garante que se constrói menos do que se devia em Portugal e “há obras públicas que não vão avançar” porque, face aos baixos salários, os trabalhadores saem do país. Salienta-se que já não há centros de formação no setor e avança-se com a possibilidade de partir para a greve.

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Trabalhadores. Foto de Paulete Matos.
Trabalhadores. Foto de Paulete Matos.

O Sindicato da Construção de Portugal anunciou esta segunda-feira que levaria à Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas uma proposta de subida salarial para os trabalhadores do setor em média de 200 euros.

Albano Ribeiro, presidente da direção deste sindicato, defende que “só com aumentos salariais” se vai conseguir travar a saída de trabalhadores qualificados do país porque “todos os meses saem centenas” e “há obras públicas que não vão avançar, como a requalificação de escolas, hospitais, por exemplo, a via-férrea e já nem falo no aeroporto”.

À Lusa, exemplifica: “um operário qualificado, um carpinteiro, ganha 780 euros, um encarregado ganha, neste momento, 850 euros, e um engenheiro ganha 1.100 euros”. De acordo com a proposta sindical um engenheiro passaria a ganhar 1.300 euros, um encarregado 1.050 euros e um operário qualificado 985 euros.

O sindicalista argumenta ainda que o setor está a construir abaixo das “necessidades do país”: dever-se-ia estar a construir 90 mil habitações mas apenas se estão a fazer perto de 30 mil habitações”. A razão, avança, é precisamente a falta de trabalhadores numa área que perdeu, desde a altura da Expo 98, 300 mil trabalhadores, sendo atualmente 450 mil.

Denuncia ainda a falta de centros de formação para o setor quando dantes “havia centros de formação em todas as capitais de distrito a formar operários da construção e agora não há nenhum centro de formação”.

Os trabalhadores avisam que se a associação patronal não der resposta “irão lutar pelas suas propostas”. Albano Ribeiro lança que “isto pode acabar com uma concentração em frente à associação, por exemplo” e afirma ainda que “naturalmente os trabalhadores mobilizam-se, param, fazem greve e vão para a associação protestar. É normal, faz parte da democracia”.