Sindicato da Construção denuncia situações de exploração de trabalhadores estrangeiros

02 de fevereiro 2024 - 17:16

O Sindicato tem estado a apoiar trabalhadores oriundos da índia, Colômbia, Brasil, Perú e Marrocos com despesas de alimentação e de transporte.

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trabalhadores imigrantes na construção civil
Foto de SkloStudio (EnvatoElements)

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, denuncia situações de exploração dos trabalhadores estrangeiros que chegam a Portugal através de “redes angariadoras mafiosas de mão-de-obra”. O Sindicato tem feito várias denúncias junto da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Albano Ribeiro fala em “situações de abandono por parte de redes mafiosas angariadoras de mão-de-obra, em articulação com as redes angariadoras de mão-de-obra/mafiosas portuguesas”.

O Sindicato tem estado a apoiar o pagamento de várias despesas destes trabalhadores estrangeiros. “Pagamos a alimentação a esses trabalhadores que não têm dinheiro para comer nem para transportes. Essa não é a função do sindicato, mas numa situação destas, o sindicato tem de ajudar os trabalhadores”, afirma Albano Ribeiro, em declarações à Rádio Renascença.

O sindicalista convidou, para um encontro a realizar no Porto, todos os embaixadores da Índia, Colômbia, Brasil, Perú e Marrocos, mas “nenhum se dignou responder ao convite para que os seus concidadãos começassem a chegar a Portugal de forma organizada social e laboral”.

O Bloco de Esquerda tem vindo a denunciar estas situações de escravatura por parte de redes mafiosas que lucram a exploração de mão-de-obra barata. No seu programa para as legialativas de 10 de março, exige que se combatam as redes de tráfico, que se regularize as situações de permanência, que se garantam os direitos laborais e o respeito pelos mais básicos direitos humanos, “assim como a responsabilização automática de toda a cadeia de produção e de subcontratção pelas situações de exploração e violação de direitos.”

Falta de trabalhadores no setor da construção

Em agosto de 2023, em declarações à Lusa, Albano Ribeiro tinha dito que ia entregar à Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) uma proposta de aumento em média de 200 euros de salário para estes trabalhadores. E ameaçou com uma greve caso essa reivindicação não seja cumprida. 

O Sindicato alerta que o setor da construção tem vindo a perder centenas de trabalhadores, propondo por isso que estes sejam valorizados, aumentando os seus salários.

"Todos os meses saem centenas [de trabalhadores]" e "há obras públicas que não vão avançar, como a requalificação de escolas, hospitais, por exemplo, a via-férrea e já nem falo no aeroporto [de Lisboa]", disse Albano Ribeiro.

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