Num artigo de opinião publicado este domingo no Público, sete dos promotores do apelo lançado por um grupo de sindicalistas católicos insistem na urgência da convergência de esforços das duas centrais sindicais para responder à maior ofensiva antilaboral das últimas décadas: a proposta de contrarreforma laboral que o Governo apresentou, intitulada “Trabalho XXI”.
Trabalho
Apelo pede unidade às centrais sindicais na luta contra a contrarreforma laboral
Para estes sindicalistas, o objetivo do Governo é claro: “desarmar os trabalhadores para fortalecer empresas e capital”, através de “precariedade, individualização das relações laborais, erosão da contratação coletiva e da greve, bem como o enfraquecimento dos sindicatos”.
A par da dimensão da ofensiva, o que preocupa os subscritores é verem que as centrais sindicais continuam “presas às suas tradições e culturas próprias, incapazes de construir um entendimento mínimo para enfrentar o adversário comum”, numa divisão que “fragiliza toda a ação sindical e transmite aos trabalhadores e à sociedade uma imagem de irrelevância e impotência”.
“O sindicalismo só existe com trabalhadores; e só será forte se estes perceberem que a união coletiva se traduz em poder”, defendem os subscrtores, acrescentando que é agora necessário “afirmar à sociedade que o sindicalismo é capaz de se coordenar quando estão em causa direitos fundamentais”. Um dos exemplos dessa coordenação pode tomar a forma de “um espaço de concertação e decisão” que permita elaborar uma declaração conjunta "com linhas gerais consensuais: rejeição do retrocesso nos direitos, defesa da contratação coletiva e da greve, combate à precariedade, promoção de salários dignos.”
A prioridade, defendem os sindicalistas, é a de “organizar uma grande mobilização pública, social e política — envolvendo sindicalistas, ativistas, trabalhadores não sindicalizados, académicos e cidadãos solidários, numa ampla aliança social”.
“O tempo é curto, a ofensiva é forte, e a história mostra que, unidos, os trabalhadores têm sempre mais força do que parece. É tempo de voltar a prová-lo”, conclui o artigo assinado por António Brandão Guedes (sindicalista do setor Função Pública, dirigente da Base - FUT), Augusta de Sousa (sindicalista, ex-Bastonária da Ordem dos Enfermeiros e ex-dirigente JOC), Avelino Pinto (animador social dos Amigos de Aprender, professor jubilado de psicologia social), Constantino Alves (padre e ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul), Deolinda Machado (sindicalista, ex-executiva da CGTP-IN, coordenadora diocesana da LOC/MTC Lisboa), Guadalupe Simões (sindicalista, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e do Conselho Nacional da CGTP-IN) e Ulisses Garrido (sindicalista, dirigente da Praxis, ex-executivo da CGTP-IN e ex-director do Instituto Sindical Europeu).