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Sétima noite de confrontos na Irlanda do Norte

Jovens “unionistas” têm atacado a polícia e causado estragos do lado “nacionalista”, em protesto contra as barreiras comerciais introduzidas pelo Reino Unido na sequência do Brexit.
Canhão de água a ser disparado contra manifestantes em Belfast na Irlanda. Foto de Mark Marlow/EPA/Lusa.
Canhão de água a ser disparado contra manifestantes em Belfast na Irlanda. Foto de Mark Marlow/EPA/Lusa.

A noite desta quinta-feira foi a sétima consecutiva de confrontos na Irlanda do Norte. Grupos de jovens “unionistas” ou “legalistas”, apoiantes da ligação do território ao Reino Unido, têm entrado sucessivamente em confrontos com a polícia, lançando pedras e causando ferimentos em 74 polícias. O episódio mais mediatizado desta semana de violência foi o incendiar de um autocarro na passada quarta-feira. No mesmo dia, um jornalista do Belfast Telegraph foi atacado.

A fúria dos unionistas é motivada pelas barreiras comerciais surgidas na sequência do Brexit. Estes “invadiram” zonas “nacionalistas”, ou seja, de maioria pró-Irlanda unificada, partiram carros e atacaram diversos edifícios. Os ataques começaram agora a provocar respostas do lado nacionalista. Desta feita, o cenário central foi Lanark Way, em Belfast, que separa uma zona de defensores da pertença ao Reino Unido de uma outra maioritariamente defensora da unificação irlandesa. Apesar de uma corrente humana de trabalhadores comunitários ter tentado manter os grupos separados, houve lançamento de pedras e de cocktails molotov. A polícia dispersou o lado nacionalista utilizando canhões de água e confirmou ainda a utilização de balas de plástico e de cães.

Os apelos à calma sucedem-se, desde a Casa Branca até ao comunicado conjunto dos primeiros-ministros britânico e irlandês. Também o governo da Irlanda do Norte, que é partilhado entre os dois lados, veio mostrar-se “seriamente preocupado com as cenas que todos temos testemunhado nas nossas ruas”, salientando que apesar das “posições políticas muito diferentes em muitos assuntos”, o executivo está “unido” no “apoio à lei e ordem”.

Mas apesar das promessas de união, as tensões estão ao rubro também dentro do executivo. A secção do Sinn Féin da Irlanda do Norte acusa Arlene Foster, a primeira-ministra do DUP, Partido Unionista Democrático, de estar a acicatar os ânimos do seu lado, alimentando a oposição às barreiras comerciais introduzidas depois da saída do Reino Unido da União Europeia, devido à ligação entre a Irlanda e o território irlandês do norte sob ocupação britânica.

A questão irlandesa foi desde sempre um dos motivos de impasse nos planos de Brexit. Quando Boris Johnson chegou ao poder, prometeu que a saída não significaria o regresso a uma fronteira restrita entre a Irlanda e a Irlanda do Norte mas também que haveria comércio livre entre esta e o Reino Unido. O surgimento de taxas em alguns produtos é visto do lado unionista como a introdução de um fronteira e uma espécie de traição.

Os jovens afetos ao DUP também se queixam da decisão da polícia de não ter acusado responsáveis do Sinn Féin por violação das regras sanitárias instauradas na sequência da pandemia pela participação no funeral de Bobby Storey, um quadro histórico do Exército Republicano Irlandês.

Para a noite desta sexta-feira foi marcada nas redes uma “marcha” em que os unionistas prometem entrar à força em Belfast Ocidental.

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