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Sete dos oito arguidos acusados do homicídio de Giovani Rodrigues

O oitavo arguido é acusado de esconder a arma usada para agredir Giovani. O Ministério Público considera que o crime não teve motivação racial, mas admite que era intenção dos arguidos matar Giovani e os três amigos que o acompanhavam.
Marcha silenciosa em homenagem a Luís Giovani, estudante cabo-verdiano assassinado em Bragança. Janeiro de 2020.
Marcha silenciosa em homenagem a Luís Giovani, estudante cabo-verdiano assassinado em Bragança. Janeiro de 2020. Foto de Pedro Sarmento Costa/Lusa.

Estão acusados por homicídio sete dos oito arguidos no caso da morte Giovani Rodrigues. Além destes sete, o Ministério Público acusa ainda o oitavo elemento de favorecimento ao esconder a arma do crime. 

A acusação foi divulgada pela Procuradoria-Geral Distrital do Porto e consta de um despacho de 23 de junho do Ministério Público de Bragança, responsável pela investigação do caso que culminou na morte do estudante Giovani Rodrigues no final de 2019.  

Segundo a agência Lusa, o Ministério Público deduziu a acusação contra cada um dos suspeitos pela "prática de um crime de homicídio qualificado agravado, sendo um na forma consumada e três na forma tentada”. Para além desta acusação, a dois dos arguidos é-lhes imputada a "a prática de um crime de detenção de arma proibida”. Três dos arguidos estão em prisão preventiva e quatro em casa com pulseira eletrónica.

Segundo a Lusa, que teve acesso ao despacho, o oitavo arguido é acusado do crime de "favorecimento pessoal" por alegadamente "ter escondido, a pedido de um arguido, o pau com moca utilizado para a prática dos factos".

Segundo o Ministério Público, o grupo de quatro jovens cabo-verdianos envolveu-se numa discussão com um dos arguidos e outro indivíduo por terem sido acusados de estarem “a assediar as suas namoradas”. A discussão terá começado dentro de um bar, tendo continuado no exterior. Nessa altura terão chegado mais quatro arguidos, altura em que “se envolveram com os jovens em agressões recíprocas”. 

A dada altura, os sete arguidos agrediram “os quatro jovens com pontapés, murros e pancadas desferidas com paus e com a soqueira”. 

O Ministério Público apurou que três dos jovens cabo-verdianos fugiram, "mas um deles (Giovani) foi rodeado pelos sete arguidos, sendo então agredido por todos, nomeadamente na cabeça, com mais murros e pontapés, pancadas com paus, a parte metálica de um cinto e uma soqueira, acabando prostrado no chão”. Giovani viria a falecer dez dias depois na sequência de lesões derivadas destas agressões. 

Segundo o Ministério Público, não foi “apurado qualquer indício no sentido de os factos praticados pelos arguidos terem sido determinados por ódio racial ou gerado pela cor, origem étnica ou nacionalidade das vítimas”.

Porém, admitem também que era intenção dos arguidos matar os outros três jovens, "o que só não veio a acontecer por razões alheias à sua vontade". Na altura, a polícia local fora criticada pela demora a reagir ao caso, uma vez que a identidade de alguns dos acusados era conhecida por vários habitantes de Bragança e nenhuma diligência fora feita até ao caso ganhar mediatismo e as autoridades de Cabo Verde pedirem explicações a Portugal. 

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