O Ministério Público e a Polícia de Segurança Pública fizeram esta quarta-feira mais sete detenções de agentes da PSP suspeitos da prática de crimes como tortura grave, violação, abuso de poder, ofensas à integridade física qualificadas. Foram ainda realizadas nove buscas domiciliárias e sete buscas em esquadras da PSP.
A operação resulta de um segundo inquérito à prática de torturas a detidos na esquadra do Rato, que eram filmadas pelos agentes abusadores e partilhadas em grupos de WhatsApp onde estavam cerca de 70 pessoas, sobretudo elementos da PSP.
Violência policial
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Os alvos de torturas eram pessoas em situação particularmente vulnerável, em situação de sem-abrigo, imigrantes e toxicodependentes. Há 13 vítimas identificadas, mas não se exclui que possam haver mais.
Segundo o Público, no despacho de acusação do primeiro processo, que levou à prisão preventiva de dois agentes, o Ministério Público realça o sentimento de impunidade e a atuação reiterada dos abusadores, que praticavam as torturas nas esquadras do Rato e do Bairro Alto mas também na via pública na zona do Bairro Alto e do Cais do Sodré.
Além das torturas e espancamentos, os dois agentes são acusados de roubarem as vítimas, retirando-lhes dinheiro, bens pessoais e documentos. Nalguns casos, acrescentavam estupefaciente à quantidade que as vítimas possuíam.