Foram validadas 21 listas para as eleições do próximo dia 21. Os partidos do eixo do atual governo, quatro listas de minorias étnicas e vários pequenos partidos à espera de obter resultados do abaixamento do patamar necessário para eleger para o parlamento. Mas a grande notícia são os que resolveram ficar de fora.
Nove partidos resolveram boicotar as eleições na Sérvia. A coligação Aliança pela Sérvia, a maior força de oposição, fundada em 2018 e juntando tendências políticas muito diversas, lidera o processo tendo apelado à criação de um governo de transição tecnocrático com o papel de preparar eleições justas dentro de um ano.
Obviamente, os partidos no poder não concordam. O Partido Progressista Sérvio, que nasceu de uma cisão em 2008 do Partido Radical Sérvio, de extrema-direita, e que se afirma mais moderado que este, é o partido do atual presidente da República, Aleksandar Vučić, e o parceiro maior da coligação no poder. O seu principal aliado, o Partido Socialista da Sérvia, herdeiro do antigo regime, diz-se de esquerda mas partilha o poder sem grandes problemas com esta direita.
As eleições anteriores já tinham sido alvo de um relatório da OSCE que criticava a cobertura mediática enviesada, o uso de recursos do Estado por parte dos partidos no poder e pressões sobre funcionários públicos. Também a Comissão Europeia, num relatório de 2019, colocou em causa a liberdade de imprensa no país. A delegação do Parlamento Europeu que tentou mediar um acordo entre as partes para que estas eleições pudessem decorrer da forma mais democrática possível. Acabou por declarar não haver condições para eleições livres e justas.
Mas as críticas principais vêm das ruas. Desde 2018, um movimento de protesto tem-se organizado e ganho força com dezenas de milhares de pessoas a participarem nas manifestações. O movimento começou devido a um ataque a um dirigente de um partido da oposição sem assento parlamentar e parou com a chegada do novo coronavírus mas deixou marcas: a dimensão dos protestos fez com que a maior parte dos partidos da oposição acabassem por assinar um documento chamado Acordo com o Povo, em fevereiro de 2019, comprometendo-se com o boicote, o que determinou a situação atual.
Inicialmente marcado para 26 de abril, o ato eleitoral foi adiado devido à pandemia.