Ser mãe em Portugal triplica desigualdade salarial

18 de dezembro 2012 - 11:28

Nem os aumentos significativos nos níveis educacionais e de qualificação das mulheres tem impedido que as trabalhadoras portuguesas continuem a ser fortemente discriminadas. As mulheres nacionais estão entre as que mais trabalham sem receber qualquer remuneração e a maternidade triplica o desnível salarial face aos homens com filhos.

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Mulheres portuguesas fazem, diariamente, mais de 4 horas de tarefas que não são remuneradas.Apenas na Índia, México e Turquia as mulheres fazem mais tarefas sem receber qualquer remuneração.// Foto de Paulete Matos

O desnível salarial das mulheres, com as mesmas qualificações e emprego, face aos homens já é conhecido. Mas a dimensão do fenómeno no nosso país, de acordo com um estudo da OCDE divulgado esta segunda-feira, coloca as trabalhadoras portuguesas no restrito grupo das que são mais penalizadas nos países industrializados.

De acordo com o relatório “Terminar com a diferença de género: Agir agora", as trabalhadoras nacionais recebem um salário mediano 7 por cento inferior ao dos homens, com o mesmo emprego e nível de qualificação. Quando têm um filho ou mais, no entanto, esse desnível mais que triplica passando para um desnível salarial de 24 por cento.

A desvantagem salarial das mulheres com filhos é uma constante em todos os países analisados, mas a diferença no nosso país é ainda mais penalizadora. Quando consideradas apenas as trabalhadoras “sem crianças”, Portugal é o 8º país mais desigual em termos salariais, mas quando se analisa o caso das trabalhadoras “com crianças” aparece como o 16º país mais desigual.

"As mulheres pagam um preço elevado pela maternidade, com custos exagerados nos cuidados infantis, disponibilidade ou acesso a equipamentos, e impostos que impedem muitas de trabalhar mais", indica a OCDE.

Mas não é apenas no local de trabalho que a penalização das mulheres portuguesas se faz sentir. Apenas na Índia, México e Turquia as mulheres fazem mais tarefas sem receber qualquer remuneração. São quase 250 minutos por dia (mais de 4 horas),  sobretudo tarefas “domesticas”, a cuidar dos filhos, idosos, ou das casas. A média nos países analisados não ultrapassa os 150 minutos.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico sugere, no relatório, que os países apresentem propostas fiscais para combater a discriminação imposta às mulheres. “Melhorar a política fiscal para os pais que trabalham ajudaria a atacar este problema”, pode ler-se no relatório. “Se os cuidados com uma criança absorvem um salário, há pouca ou nenhuma vantagem em ter os dois pais a trabalhar, pelo menos a full-time”, defende a OCDE.