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Sem pagamento de salário, trabalhadores da Trust in News partirão para a greve

31 de maio 2025 - 11:24

Os trabalhadores do grupo de comunicação admitem ainda suspender ou rescindir contrato de trabalho caso salários e subsídio de refeição em falta não sejam pagos. Manifestam-se contra ameaça de despedimento coletivo que debilitaria ainda mais a empresa e recordam que injeção de capital prometida por Luís Delgado nunca aconteceu.

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Trust in Media capas
Trust in Media capas de revistas.

Em plenário na passada sexta-feira, os trabalhadores da Trust in News aprovaram por larga maioria que se, até à próxima sexta-feira, não forem pagos os 20% do salário de abril, o salário de maio e o subsídio de refeição em falta, “reservam para si o direito de tomarem a decisão que entenderem para não continuarem a trabalhar, nomeadamente a de convocarem uma greve e/ou iniciarem o procedimento formal com vista à suspensão ou rescisão, com justa causa, dos contratos de trabalho”.

Esta decisão dos trabalhadores do grupo dono de 16 órgãos de comunicação, nomeadamente as revistas Visão, Exame, Caras e o Jornal de Letras foi avançada num comunicado no qual começam por expressar “indignação por apenas terem recebido 80% do salário de abril, em três prestações, encontrando-se os restantes 20% ainda por pagar, assim como o salário de maio e o subsídio de refeição que se vencem hoje, último dia do mês”.

Para além disso, os trabalhadores “repudiam a ameaça de despedimento coletivo de até 20 trabalhadores numa empresa que, no último ano e meio, reduziu em 50% a sua força de trabalho, de forma aleatória, sem qualquer estratégia da parte da gestão, e passou a funcionar com equipas totalmente depauperadas, apoiando-se na produtividade de pessoas que trabalham muito mais horas do que seria razoável”. Dizem que com menos pessoas “produzirão menos publicações, e menos publicações irão gerar menos receita, pondo assim em causa a recuperação da empresa”.

A permanência de salários em atraso, impostos por liquidar e prestações da dívida ao Estado que devem ser pagas a partir do final do mês de junho, fazem-nos duvidar da existência de condições para “viabilizar o plano de recuperação da empresa sem que, antes, se verifique a injeção de capital que o sócio único, Luís Delgado, por diversas ocasiões, e desde há vários meses, se comprometeu a fazer na tesouraria da empresa”.