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Sem mudança na política florestal, este será "o verão mais fresco do resto das nossas vidas”

“A desresponsabilização pelos incêndios levada a cabo por António Costa nos últimos dias tem sido vergonhosa e inaceitável”, critica um coletivo, que defende a necessidade de uma “floresta reguladora do clima, protetora e geradora de solos, água, biodiversidade e salvaguarda das populações”.
Uma mulher molha o terreno na aldeira do Lavradio durante um incêndio florestal, no concelho de Ourém. Este incêndio começou há uma semana, a 7 de julho de 2022. Foto de Nuno André Ferreira/ Lusa, de 13 de julho de 2022
Uma mulher molha o terreno na aldeira do Lavradio durante um incêndio florestal, no concelho de Ourém. Este incêndio começou há uma semana, a 7 de julho de 2022. Foto de Nuno André Ferreira/ Lusa, de 13 de julho de 2022

Um artigo de opinião publicado no Expresso e assinado por um coletivo de 15 pessoas (ver os nomes abaixo), “com várias profissões e de diferentes pontos do país”, levanta a angustiante pergunta: “E se este for o verão mais fresco do resto das nossas vidas?”

O artigo considera que o país “está no ponto” para novos megaincêndios, critica a “recusa em mudar o que quer que seja na floresta, desde 2017” e salienta os recordes de temperatura batidos todos os anos e os verões mais secos, compridos e com ondas de calor cada vez mais frequentes, quentes e longas.

O texto critica também António Costa, o governo português e os líderes europeus pela aprovação de mais gás natural por se recusarem a “fazer os cortes necessários de emissões de gases com efeito de estufa” e acusa-os por estarem a garantir que “este, muito provavelmente, é um Verão fresco quando comparado com as próximas décadas e séculos”.

Lembrando os incêndios de 2017, o coletivo aponta que “não há agência de comunicação que consiga esconder que as áreas florestais portuguesas, até em locais tão simbólicos como Pedrógão, estão hoje mais perigosas do que então. Há maior área de eucaliptos, há maior densidade de eucaliptos, há maior infestação por acácias e mesmo as faixas de proteção das estradas estão em despreparado”.

“A escolha de Tiago Oliveira, um quadro da The Navigator Company, para liderar a AGIF, a agência que iria gerir os fogos rurais, produziu o efeito esperado – o território está pior”, acusa o coletivo, referindo que a Florestgal, a “primeira empresa pública de gestão e desenvolvimento florestal a ser criada em Portugal” para realizar a transformação para proteger o território limita a sua ação, em três anos, a uma conversão de 70 hectares de eucaliptal, no Mogadouro.

“A desresponsabilização pelos incêndios levada a cabo por António Costa nos últimos dias tem sido vergonhosa e inaceitável”, censura o coletivo, apontando que “o primeiro-ministro revela desfaçatez total ao deslocar o ónus da responsabilidade dos incêndios para hipotéticos incendiários, festivais e concentrações, acidentes e pequenos proprietários, sem alguma vez tocar nas questões estruturais nas quais tinha de ter intervindo: a composição da floresta, o regime de propriedade, o abandono”.

A concluir, o artigo defende que “para que este não seja o verão mais fresco do resto das nossas vidas também temos de criar e cuidar de uma verdadeira floresta reguladora do clima, protetora e geradora de solos, água, biodiversidade e salvaguarda das populações” e assinala que “Perante a recusa dos governantes em agir, a sociedade civil não pode nem irá mais ficar parada”.

O artigo é assinado por: Ana Silva (professora, Cartaxo), António Assunção (ativista, Lisboa), António Rodrigues da Costa (reformado, Rio Maior), Armindo Silveira (monitor, Abrantes), Eunice Duarte (artista, Coimbra), Fábio João Marçal (ativista, Sertã), Mário Montez (animador sociocultural, Coimbra), Matilde Alvim (estudante, Palmela), Miguel Manso (escritor, Sertã), Margarida Marques (arquiteta, Arganil), Maria Teresa Rito (professora, Figueira da Foz), Paulo Pimenta de Castro (engenheiro, Oeiras), Isabela Ferro (bombeira, Proença-a-Nova), João Camargo (investigador, Lisboa), Pedro Triguinho (ferroviário, Torres Novas)

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