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Seis locais de biodiversidade marinha em risco devido a pesca e aquecimento global

Novo estudo identifica seis hotspots de biodiversidade marinha que serão muito gravemente afetados pelo aumento da temperatura do planeta e pela pressão das pescas, podendo levar ao colapso desses ecossistemas.
Jovem segura concha debaixo de água.
Jovem segura concha debaixo de água, foto do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas/Flickr.

Um novo estudo para identificar as áreas nos oceanos da Terra com maior prioridade de conservação identificou seis “hotspots” de biodiversidade marinha que sofrerão com maior gravidade o impacto das alterações climáticas e a pressão das pescas. Hotspots de biodiversidade são regiões do mundo com níveis significantes de biodiversidade e que estão sob ameaça devido à ação humana. Entre outros, são considerados hotspots a cadeia montanhosa dos Andes, a Mata Atlântica (no Brasil, Paraguai e Argentina), a Bacia do Mediterrâneo, os Himalaias ou o Cáucaso.

O impacto da atividade humana nas alterações climáticas que podem levar ao colapso de ecossistemas é sabido, mas até agora nenhum estudo tinha examinado a sobreposição da distribuição global de espécies nos oceanos e as áreas marinhas com maiores riscos devido às alterações climáticas.

A equipa liderada por Francisco Ramírez compilou uma base de dados de mais de duas mil espécies e informações sobre as temperaturas à superfície do mar, correntes oceânicas e produtividade marinha recolhidas ao longo de mais de três décadas. Adicionalmente, avaliaram dados dos últimos 60 anos sobre a pesca industrial.

Os dados ambientais mostraram uma distribuição desigual das mudanças nos oceanos. As alterações mais drásticas irão ocorrer nos pólos e nos trópicos, onde as temperaturas vão sofrer mudanças mais extremas, o que terá impacto na disponibilidade dos nutrientes e nas correntes marinhas. Por outro lado, a pesca industrial também reduziu as quantidades globais de peixes no mar e a continuação da pressão piscatória irá exacerbar ainda mais a pressão nas populações de peixes nessas áreas.

Com a combinação de todos os dados, os investigadores identificaram seis zonas marinhas de alta biodiversidade, em regiões temperadas e tropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, que sofrerão mais que as alterações climáticas e a pesca industrial.

Em comunicado de imprensa, os investigadores avisam que os impactos climáticos e da pesca industrial devem ser tidos em conta para a conservação e, da mesma forma que as alterações climáticas estão a ser abordadas à escala global, a comunidade internacional também deve conservar a biodiversidade, criando medidas que restrinjam mais e de forma mais eficaz a pesca industrial.

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