Derrame da BP: descodificada forma como bactérias “comeram” petróleo

09 de maio 2016 - 18:33

Biólogos fazem sequenciação genética das bactérias que digeriram petróleo na água, descobrem as vias metabólicas usadas para tal e revelam uma complexa comunidade em que bactérias atuam em conjunto e algumas conseguem digerir o diluente usado depois do derrame.

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Petróleo do derrame da BP no Golfo do México, foto de Andreas Teske, Universidade da Carolina do Norte Chapel Hill.

Um grupo de biólogos da Universidade do Texas descodificou o código genético das bactérias que conseguiram digerir petróleo, o que acabou por ajudar de alguma forma na limpeza do derrame da BP no Golfo do México. As bactérias revelaram ter uma muito maior capacidade de consumir petróleo do que se sabia. 

Os biólogos revelaram que a complexidade da comunidade é tal que algumas bactérias ajudam na limpeza depois da limpeza, ou seja, conseguem digerir os compostos usados pelos humanos para diluir o petróleo na água, também eles nocivos para o ambiente.

A sequenciação genética não só mostrou que várias bactérias conseguem digerir o petróleo, como também revelou que várias espécies trabalham juntas para maximizar o potencial genético de toda a comunidade microbiana. Mas a equipa não se limitou a este resultado e conseguiu descrever as vias metabólicas específicas usadas pela comunidade para trabalhar em conjunto para digerir o petróleo.

Desde o desastre, várias equipas de cientistas têm procurado perceber como é que as bactérias que cresceram exponencialmente depois do desastre digeriram um amplo conjunto de químicos e até agora nada se sabia da genética do processo. A sequenciação genética das bactérias revelou o potencial genético de diferentes espécies, incluindo as que foram descritas como tendo tido o papel principal na tarefa de limpeza das águas.

O estudo foi publicado na revista Nature Microbiology e pode ter utilizações na resposta a derrames futuros ou outros desastres ecológicos, além de explicar de que forma é que estes seres vivos representaram um papel tão importante na limitação dos danos causados pelo derrame em 2010.