Na sequência do assassinato de Ihor, em março de 2020, o então ministro Eduardo Cabrita garantiu que o Espaço Equiparado a Centro de Instalação Temporária no Aeroporto de Lisboa (EECIT-L) iria ser sujeito a remodelações para garantir as condições necessárias e para prevenir que situações idênticas se pudessem repetir.
Três anos depois, o último relatório anual do Mecanismo Nacional de Prevenção (MNP), ligado à Provedora de Justiça, assinala que "parte substancial das novas regras" anunciadas à época continuam por aplicar. Por exemplo, não há “botões de pânico” e videovigilância em todas as salas do centro do SEF no Aeroporto de Lisboa.
O relatório, citado pelo jornal Público, refere também que existem falhas no rastreio de pessoas em situações vulneráveis. "A título exemplificativo, os agentes do SEF, tendo detido uma cidadã menor não acompanhada, não questionaram se experienciou qualquer situação de tráfico, abuso ou violência. O MNP alerta para a extrema importância da identificação de situações de especial vulnerabilidade, desde o primeiro contacto na zona de fronteira", lê-se no documento.
Ihor Homenyuk chegara a Portugal no dia 10 de março de 2020 por via aérea com o objetivo de trabalhar quando viu a sua entrada no país barrada por estar ilegal.
Foi colocado numa sala à parte, viu-se com as mãos algemadas atrás das costas, tornozelos algemados e cotovelos amarrados com ligaduras. Aí, os agentes do SEF terão desferido um número indeterminado de socos e pontapés no corpo. Só horas depois, com Ihor sem reagir, foi chamado o INEM e uma viatura médica de emergência, tendo o médico de serviço da tripulação verificado o óbito do cidadão ucraniano.
Após a morte de Ihor foram dados a conhecer inúmeros outros casos de violência nas instalações do SEF no aeroporto de Lisboa.