Seca provoca maior área ardida em janeiro desde 2001

17 de fevereiro 2022 - 14:27

No primeiro mês e meio deste ano já arderam mais de 5.500 hectares em incêndios rurais em Portugal. A manter-se a ausência de chuva, "março pode ser um mês complicado", avisam especialistas em incêndios.

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Foto Jori Avlis - Lusitanie.fre/Flickr

Segundo dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) citados pelo Jornal de Notícias, registaram-se 1.400 incêndios rurais entre 1 de janeiro e 13 de fevereiro, o que equivale a mais do total a área ardida dos cinco anos anteriores no mesmo período.

O distrito mais atingido por estes incêndios de inverno foi Viana do Castelo (1.386 hectares em 198 ocorrências), seguido de Braga (1.185 hectares em 247 ocorrências) e  Vila Real (1.145 hectares em 221 ocorrências).

Janeiro foi o mês com maior área ardida desde 2001, com 4.607 hectares, Pelo sexto ano consecutivo, a quantidade de precipitação esteve abaixo da média, o que resultou no sexto janeiro mais seco desde 1931. Quanto aos primeiros 13 dias de fevereiro, com 957 hectares de área ardida, só são ultrapassados pelo ano de 2012, quando arderam 1.650 hectares no mesmo período.

“Março pode ser um mês complicado”

Ouvido pela Rádio Comercial, o geógrafo e especialista em incêndios António Bento Gonçalves alerta que “os meses de março têm tendência de se tornar mais quentes” e que se se mantiver a atual ausência de precipitação, “podemos ter uma situação complicada já em março”. Uma tendência que vem de trás é a do alargamento da chamada época de incêndios, que tenderá a “começar muito mais cedo e acabar muito mais tarde”, acrescenta.

Para tornar o combate aos incêndios mais eficaz e seguro, o professor da Universidade do Minho diz que “é urgente repensar todo o sistema, incorporar mais conhecimento científico em todos os processos e pensar o mundo rural não de forma isolada, mas pensar na coesão territorial e na educação florestal de forma integrada”.