Seca no Algarve: Plataforma Água Sustentável diz que medidas são desajustadas

10 de fevereiro 2024 - 10:18

O grupo que une organizações de defesa do ambiente apresenta um conjunto alternativo de “medidas concretas imediatas” que deveriam ser tomadas. José Gusmão diz que o Bloco apresentou um programa contra a seca no Algarve na linha destas recomendações e “recusará a política de penalização de quem não teve responsabilidade nenhuma”.

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Barragem de Odeleite. Foto de  *L/Flickr.
Barragem de Odeleite. Foto de *L/Flickr.

Em comunicado, a Plataforma Água Sustentável, constituída por diversas organizações de defesa do ambiente regionais e nacionais, avaliou as medidas oficiais que foram até agora anunciadas para combater a escassez de água no Algarve como “contraditórias, pouco eficazes, desfasadas no tempo e desajustadas”.

O grupo tem vindo a divulgar medidas estruturais para resolver a situação mas decidiu agora apresentar um conjunto de “medidas concretas e imediatas” articuladas em quatro eixos: a diminuição das necessidades de consumo, dar prioridade à concretização de obras para diminuição das perdas de água nas redes urbanas e de regantes, dar prioridade à concretização da reutilização das águas residuais e a monitorização e avaliação sistemática de todos os consumos.

No primeiro deles, defende-se que a redução de necessidades de consumo passa pelo uso de água residual tratada, para rega, lavagem e todos os outros fins compatíveis com a sua qualidade; por incentivos à modificação de modos de produção agrícola (isto é pela substituição de monocultura intensiva por policultura, agricultura regenerativa, entre outros); pela substituição de relvados e jardins regados, por prados e jardins resistentes à seca; pelo uso de águas de piscinas públicas para limpeza urbana e rega de espaços verdes; e pela penalização de consumos excessivos dos consumidores públicos e privados (no preço ou na disponibilidade).

No segundo eixo, considera-se que são precisas obras de reparação e/ou substituição de condutas e outros equipamentos e manutenção adequada de condutas e outros equipamentos.

No terceiro especifica-se que é prioritário reutilizar águas residuais consumos urbanos como lavagem de ruas e rega de espaços verdes e para consumos agrícolas, “controlando a qualidade da água”.

No últimos dos eixos, os ambientalistas defendem ser urgente identificar captações não licenciadas e instalar contadores de água em todos os furos (públicos e privados).

O Governo pretende que paguem os justos pelos gastadores”

Em comentário a estas medidas, o eurodeputado e cabeça de lista pelo Bloco de Esquerda ao círculo eleitoral de Faro, José Gusmão, considerou que as medidas propostas pela Plataforma Água Sustentável “são do mais elementar bom senso e há muito que são defendidas”. Mas “sucessivos governos ignoraram os avisos de agricultores e organizações ambientais para a necessidade de medidas urgentes”. Para além disso, “os investimentos nas redes foram sistematicamente adiados e faltou coragem para enfrentar o negócio insustentável da monocultura intensiva e disciplinar os empreendimentos turísticos, a começar pelo golfe”.

Para o dirigente bloquista, “agora, depois de anos de inação e submissão ao grande negócio, a ideia de que cortes cegos são justos é absurda”. O Bloco defende que aquilo que o Governo procura implementar “é injusto e ineficaz” porque “pretende que paguem os justos pelos gastadores, que paguem as famílias e os pequenos agricultores por quem de forma predatório recursos comuns”.

Isto ao mesmo tempo que “permite que continue a monocultura intensiva e a utilização de água de furos e até da rede em empreendimentos e campos de golfe”.

O candidato às próximas legislativas salienta que “o Bloco apresentou um programa contra a seca no Algarve na linha das recomendações da PAS e recusará a política de penalização de quem não teve responsabilidade nenhuma no Estado a que chegou ao Algarve”.