Preço da água sobe no Algarve, Bloco diz ser injusto

02 de fevereiro 2024 - 16:29

No dia em que a AMAL confirmou a subida de preços, o Bloco destacou que é preciso uma reconversão da agricultura na região para passar de uma “produção intensiva e com alto consumo de água” para um modelo mais sustentável.

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Barragem de Beliche, concelho de Castro Marim. Foto de Àguas do Algarve.
Barragem de Beliche, concelho de Castro Marim. Foto de Àguas do Algarve.

A Comunidade Intermunicipal do Algarve, AMAL, confirmou esta sexta-feira que o preço da água vai subir a partir de março na região.

O Expresso cita o presidente da instituição e presidente da Câmara de Olhão, António Pina, que adianta que “grande parte dos municípios concordaram” com a proposta feita em conjunto com a Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos.

Ao que se sabe, não haverá aumentos para o primeiro escalão do consumo doméstico, para o segundo serão de 15%, para o terceiro de 30% e para o quarto de 50%. Apesar de não haver escalões harmonizados nos vários concelhos da região, “em traços gerais, o primeiro vai até aos 5 m3 de consumo por mês, o segundo entre os 5 e os 15 m3, o terceiro dos 15 aos 25 m3, e o quarto acima disso”, esclarece o semanário.

O responsável autárquico defende que “o razoável de uma família é o segundo escalão. O terceiro já é alguém que tem jardim, que lave o carro à porta, que tem piscina. Acima disso é inconsciente, só quem tem uma grande piscina e um grande jardim”.

O consumo não doméstico também vai sofrer um aumento. Neste caso de 15% independentemente do volume consumido.

Acrescenta-se que se vai investir na redução de perdas nas redes de distribuição mas pede-se “investimento muito maior”. Também as construções de uma nova tomada de água no Guadiana, de um açude na Foupana e de uma dessalinizadora não são consideradas suficientes pela AMAL que quer acesso à água do Alqueva e “uma segunda dessalinizadora para garantir o abastecimento ao perímetro urbano”.

O objetivo da comunidade de municípios será atingir uma redução de 15% do consumo nos perímetros urbanos do Algarve, alegando-se que “uma família poupar esses 15%, o aumento no tarifário [no segundo escalão] será nulo”. Este objetivo foi estabelecido pelo Governo mas implicará numa segunda fase “multas para quem continuar a ter consumos considerados excessivos” escreve este órgão de comunicação social. Não alcançar meta para um município pode implicar uma redução no fornecimento da água.

É preciso uma reconversão da agricultura no Algarve”

Sobre esta questão, Mariana Mortágua, em declarações à margem de um encontro com economistas e especialistas do trabalho esta sexta-feira, considerou que “nunca é justo quando as pessoas, os pequenos agricultores pagam o preço de escolhas que acabam por beneficiar uns poucos”.

A coordenadora do Bloco sublinha que o partido tem vindo a falar muitas vezes sobre o tema, defendendo que “a forma como se consome a água e a forma como se distribui a água é também uma questão do modelo económico que escolhemos ter”.

Neste caso, criticou a aposta no setor agrícola de “produção intensiva e com alto consumo de água”, que “depois vai prejudicar toda a agricultura de subsistência e tradicional” sendo “uma escolha errada e é uma irresponsabilidade”, a preocupação de alguns decisores políticos apenas “com o lucro de curto prazo” de algumas grandes empresas, mas também a “enorme dependência do setor turístico, que faz com que seja uma área baseada em muitos baixos salários e com problema de habitação brutal”.

Face ao problema da seca, é preciso assim uma reconversão da agricultura do Algarve, região que “precisa de um olhar muito atento e muito especial” e “é quase uma condensação dos muitos problemas que temos no país para resolver”, afirmou Mariana Mortágua.