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Sarkozy investigado por receber milhões de oligarcas russos

O ex-presidente francês tem um contrato de “conselheiro” com dois oligarcas russos mas as entidades fiscais suspeitam de lóbi ilegal e está acusado de tráfico de influência.
Nicolas Sarkozy em maio de 2019. Foto de Jacques Paquier/Flickr.
Nicolas Sarkozy em maio de 2019. Foto de Jacques Paquier/Flickr.

A Procuradoria Nacional de Finanças francesa, o Parquet national financier, está a investigar por “tráfico de influência” um contrato do ex-presidente Nicolas Sarkozy de três milhões de euros com uma empresa de seguros russa, a Reso-Garantia, dos irmãos multimilionários Sergey e Nikolay Sarkisov.

Segundo o portal noticioso MediaPart, o antigo chefe de estado francês já recebeu deste contrato plurianual, celebrado em julho de 2019, um valor de 500.000 euros na conta que tem no banco de Edmond de Rothschild. Este banco não notificou o Tracfin, entidade que avalia fraudes fiscais e lavagem de fundos, mas ainda assim esta entidade descobriu o sucedido e sinalizou o pagamento como suspeito.

Aquilo que Sarkozy supostamente vende a tão bom preço são “conselhos”. Foi contratado como “conselheiro especial” e “presidente do comité do conselho estratégico junto do conselho de administração”. Mas suspeita-se que na realidade tenha sido pago para fazer lóbi pelos interesses

dos milionários russo-arménios. A fortuna dos dois é estimada pela Forbes em 1,7 mil milhões de dólares. E a seguradora de que detêm 58% do capital tem como segundo maior acionista o gigante dos seguros Axa com 36,7%. Ora, Sarkozy tem uma relação próxima com a seguradora francesa que é cliente do seu escritório de advogados. Entre 1994 e 2015, cerca de 800 casos da Axa foram atribuídos a este escritório.

Para além do império dos seguros na Rússia, os Sarkisov têm mais interesses em França que passam por paraísos fiscais e por um nuvem de empresas. Através delas, Nikolay Sarkisov, por si só, tem um património imobiliário de luxo naquele país que o MediaPart estima em 200 milhões de euros. Alguns destes investimentos estão a ser investigados por suspeitas de branqueamento de capitais, devido aos “circuitos atípicos” do dinheiro envolvido, segundo palavras da justiça francesa.

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