Sara Sampaio insta mulheres a denunciarem situações de abuso

10 de novembro 2017 - 16:06

A modelo portuguesa Sara Sampaio denunciou esta quinta-feira a cultura permissiva face ao abuso sobre as mulheres na sua área profissional, e salientou a necessidade de se utilizarem as redes sociais para denunciar estas situações.

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Sara Sampaio defendeu a necessidade de “responsabilizar as pessoas pelas suas ações e não fingir que não aconteceu”. Foto de António Cotrim, agência Lusa.
Sara Sampaio defendeu a necessidade de “responsabilizar as pessoas pelas suas ações e não fingir que não aconteceu”. Foto de António Cotrim, agência Lusa.

A modelo portuguesa Sara Sampaio denunciou esta quinta-feira a cultura permissiva face ao abuso sobre as mulheres na sua área profissional, e salientou a necessidade de se utilizarem as redes sociais para denunciar estas situações. 

Sara Sampaio defendeu a necessidade de “responsabilizar as pessoas pelas suas ações e não fingir que não aconteceu”, fazendo referência ao caso do fotógrafo norte-americano Terry Richardson. “Toda a gente sabe que acontece e ninguém faz nada, toda a gente sabia do Terry Richardson e ninguém fez nada e agora usam-no como bode expiatório, é uma grande hipocrisia”, acusou.

Ao longo dos anos tem havido rumores sobre o comportamento de Terry Richardson em sessões fotográficas, tendo recentemente algumas publicações e empresas de moda anunciado que iriam deixar de trabalhar com ele, pouco tempo depois de várias atrizes terem denunciado terem sido abusadas sexualmente pelo produtor norte-americano Harvey Weinstein.

Além da necessidade das manequins denunciarem situações de abuso, Sara Sampaio considera que há mais envolvidos que podem ajudar a parar as situações, caso das agências de modelos, “que não deviam enviar modelos para sessões com um fotógrafo que se sabe que é abusador”, e as revistas, “que não deviam trabalhar com ele”.

“Sabiam que era assim e trabalhavam com ele [Terry Richardson] e enviavam miúdas para trabalhar com ele”, disse.

Sara Sampaio assumiu que, ao longo da carreira, sentiu “muitas vezes” que foi “levada a fazer coisas que não queria, que muitos diziam ser ‘parte do negócio’”, porque “quando és uma cara nova passas por muita merda”.

“Por exemplo, devia ser ‘ok’ eu poder dizer que não quero mudar de roupa à frente de gente que não conheço, mas se peço um sítio mais recatado dizem que sou diva, não devia ser assim”, afirmou.

Apesar de ter atingido o estatuto de ‘top model’, Sara Sampaio continua a passar por situações que considera abusivas. E recordou um episódio recente, que denunciou a 19 de outubro nas redes sociais. Lembrando que “todas as fotos de nu” que fez “foram muito controladas, escolhidas e pensadas”, esclareceu que as fotografias em ‘topless’ publicadas na revista francesa Lui foram tiradas numa sessão que tinha feito “sob condição, que ficou em contrato, de não haver nudez”.

“As novas caras sentem que não têm voz, mas têm. As publicações nas redes sociais podem tornar-se virais, mesmo que não tenhas muito seguidores”, referiu. “Os modelos têm agora esse poder, não podem forçar-te a fazer coisas, porque podes recorrer às redes sociais e denunciar. Quando começarem [as denúncias] é uma grande mudança na indústria que está prestes a acontecer”, vaticinou.