O auditório do ISCTE encheu-se na noite desta sexta-feira numa sessão publica de solidariedade com a Palestina e de exigência do fim do financiamento a Israel.
Dima Mohammed, professora palestiniana que trabalha na Universidade Nova de Lisboa, defendeu aí que “enquanto Israel continuar a ser financiado, armado e normalizado pela comunidade internacional o genocídio não terá fim”. Por isso, é fundamental “acabar com todo comércio de armas com Israel e suspender toda a cooperação militar e de segurança” com o Estado sionista.
A escritora Lídia Jorge, que não pôde estar presente, enviou uma mensagem na qual vincou que o “fanatismo venceu no mundo”. Para ela, é preciso por fim quer a este fanatismo quer ao “genocídio” em Gaza.
O anúncio do reconhecimento do Estado da Palestina por parte de Portugal, conhecido horas antes, foi naturalmente um dos temas das intervenções. Carlos Almeida, vice-presidente do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, destacou que “se este reconhecimento não for acompanhado de uma outra atitude política e de uma política concreta, que vá no sentido do apoio ao povo palestino, do isolamento internacional de Israel e da responsabilização do governo de Israel, continuaremos, a enganar o povo palestino e a semear ilusões”.
No mesmo sentido intervieram os representantes partidários que falaram na sessão. Bloco de Esquerda, Partido Socialista, Partido Comunista Português, PAN e Livre marcaram presença, sendo unânimes na avaliação de que é uma decisão que chega demasiado tarde.
Pelo Bloco, Marisa Matias considerou ser “lamentável esperar por dois anos de ocupação e dois anos de genocídio”. Pelo PS, Ana Catarina Mendes, diz que é “um bom sinal da parte deste Governo” mas também que a decisão deveria “ter sido tomada mais cedo” para fazer mais pressão internacional sobre Israel. Da parte do PCP, Pedro Guerreiro concordou e diz que é preciso que o reconhecimento seja acompanhado por medidas que defendam a soberania do povo palestiniano e se oponham às posições que metem em causa “o direito internacional, os direitos e a cidadania do povo palestiniano”. Pelo Livre, Isabel Mendes Lopes, também julga que o reconhecimento do Estado palestiniano “é tardio” que é “um passo importante” mas “não basta”.