Sírios exigem fim imediato das leis de emergência

28 de março 2011 - 15:57

Forças de segurança sírias abriram fogo para dispersar as centenas de manifestantes que protestavam em Deraa contra as leis de emergência e que exigiam “dignidade e liberdade”. No sábado, 12 manifestantes pró-reforma morreram e mais de duas centenas de pessoas ficaram feridas.

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O vice-presidente sírio; Farouq al-Shara anunciou esta segunda-feira que o presidente Bashar Assad vai divulgar importantes decisões nos próximos dois dias que irão “agradar o povo sírio”. Foto de Al Jazeera.

Nos últimos dias, o governo sírio tinha diminuído a presença de forças de segurança nas ruas, contudo, no início da semana, as patrulhas foram novamente reforçadas.

Esta segunda-feira, asautoridades sírias abriram fogo para dispersar as centenas de manifestantes que protestavam em Deraa contra as leis de emergência. Apesar do forte contingente, os manifestantes concentraram-se numa praça principal e exigiram “dignidade e liberdade” e o fim das leis de emergência.

Os confrontos entre manifestantes pró-reforma, forças de segurança e partidários do governo resultaram, no passado sábado, na morte de 12 manifestantes pró-reforma e em mais de duas centenas de feridos.

Existem também relatos de várias pessoas detidas. Em Londres, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos divulgou uma lista de 41 nomes de pessoas alegadamente detidas pelas autoridades na sexta-feira. A Amnistia Internacional emitiu, por sua vez, uma lista de 93 detidos e a Reuters anunciou que dois dos seus repórteres tinham sido presos pelas autoridades sírias.

Buthaina Shaaban, a conselheira política do presidente Bashar Assad, assumiu novamente o papel de porta-voz para o estrangeiro e afirmou que os motins violentos que se registaram no sábado, em Latakia, tinham sido provocados pelas declarações do Sheikh Yusuf Qaradawi, um teólogo sunita popular cujo programa na Al Jazeera tem cerca de 40 milhões de espectadores. O governo sírio também responsabiliza pelos confrontos grupos armados rebeldes.

Sírios exigem fim das leis de emergência

Os manifestantes exigem, entre outros, o fim imediato das leis de emergência que impõem restrições às reuniões públicas e à circulação, que autorizam o interrogatório, controlo de correspondência pessoal e prisão de suspeitos ou de pessoas que ameaçam a segurança e também o controlo oficial do conteúdo de jornais e outros meios de comunicação antes da sua publicação.

O vice-presidente sírio, Farouq al-Shara anunciou, esta segunda-feira, que o presidente Bashar Assad vai divulgar importantes decisões nos próximos dois dias que irão “agradar o povo sírio”.

Buthaina Shaaban, já havia, na passada quinta-feira, anunciado um programa de reformas que incluiriam a revogação das leis de emergência, no entanto, não avançou quaisquer datas para a implementação destas medidas.