Síria: al-Assad reaparece para denunciar "conspiração estrangeira"

11 de janeiro 2012 - 15:22

No dia em que a ONU reconheceu a morte de 400 pessoas desde a chegada à Síria dos observadores da Liga Árabe, o presidente Bashar al-Assad rompeu o silêncio de seis meses e prometeu a vitória a milhares de apoiantes numa praça de Damasco. O financiamento dos EUA à oposição síria também está a dar que falar, graças aos telegramas revelados pela Wikileaks.

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Durante anos, os EUA financiaram grupos da oposição síria para atacarem o regime de al-Assad. Foto watchsmart/Flickr

A revolta síria dura há dez meses e a ONU estima que tenham morrido já cinco mil pessoas em confrontos entre manifestantes, polícia e exército. Desde a chegada da missão da Liga Árabe, no fim de dezembro, morreram 400 pessoas, afirmou nesta terça-feira o secretário-adjunto da ONU, B. Lynn Pascoe, citado pela embaixadora norte-americana na organização, Susan Rice.



Durante a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os países europeus apelaram à Rússia para que retome as negociações para uma resolução conjunta do organismo. Russos e chineses vetaram a proposta de resolução europeia e queriam a condenação da violência tanto do governo como da oposição síria.



A missão da Liga Árabe não foi bem recebida pelo poder sírio e na terça-feira Bashar al-Assad rompeu o silêncio para prometer esmagar os "conspiradores estrangeiros". Esta quarta-feira repetiu as ameaças perante milhares de apoiantes em Damasco.



Entretanto, o Washington Post divulgou parcialmente alguns telegramas da embaixada norte-americana em Damasco, revelados pela Wikileaks. Ali se encontram provas do financiamento dos EUA a exilados da oposição síria, através dum programa chamado "Iniciativa para a Parceria no Médio Oriente". O dinheiro seria canalizado através duma ONG de Los Angeles chamada Democracy Council, liderada por um conselheiro da PricewaterhouseCoopers. Um telegrama de 2009 afirma que só essa organização recebeu 6,3 milhões de dólares para distribuir pelos parceiros na Síria. E outro dá nota da desconfiança de Damasco, alertando Washington para os interrogatórios feitos a várias pessoas sobre o assunto.



Ainda em 2009, aumentaram os receios dos diplomatas norte-americanos de que a secreta síria tinha infiltrado o Movimento pela Justiça e Desenvolvimento (MJD), um grupo de exilados em Londres que procurava estabelecer-se na terra natal. Segundo o telegrama, existiam provas de que os serviços secretos sírios já teriam conhecimento da ligação entre o grupo de Londres e o Democracy Council de Los Angeles, comprometendo definitivamente o programa de financiamento em marcha.



Um dos destinos dos dólares para tirar Assad do poder foi a Barada TV, que emite 24 horas por dia via satélite e está ligada ao MJD de Londres. O financiamento à oposição síria terá começado em 2005, quando George W. Bush congelou as relações entre os dois países e continuou com Obama, que ao mesmo tempo tentou reatar a relação com Bashar al-Assad, tendo mesmo nomeado um embaixador em Damasco pela primeira vez em seis anos. Mas segundo os telegramas, em setembro de 2010 o dinheiro não tinha parado de entrar nos cofres da oposição síria.