Ryanair: despedimentos anunciados são manobra para evitar greves

01 de agosto 2019 - 12:47

A Ryanair, com greve anunciada em Portugal para agosto, pretende despedir nos próximos meses cerca de 1500 trabalhadores na Europa. O SNPVAC criticou a bipolaridade da empresa, que fala em crescimento num dia e despedimentos no dia seguinte, e mantém o anúncio de greve.

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Foto de s. bennett/Flickr.
Foto de s. bennett/Flickr.

O anúncio de despedimentos na Ryanair, que tem greve marcada para cinco dias em Agosto, é para o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) uma manobra para desmoralizar e intimidar os trabalhadores de aderirem à greve.

Em declarações à Rádio Renascença, Bruno Fialho, vice-presidente do SNPVAC, considerou contraditório o discurso da direção da companhia low-cost: "Temos aqui um caso de bipolaridade em que o presidente executivo, Michel O'Leary diz que a Ryanair vai proceder a despedimentos quando, no dia anterior, o diretor financeiro disse que a companhia está a crescer e está muito bem”.

Há uma semana, o SNPVAC anunciou uma greve na Ryanair de pelo menos cinco dias em Agosto, em datas concretas que está a analisar, de forma a não penalizar demasiado a comunidade emigrante e a diáspora portuguesa. A decisão de greve, afirmou na altura, deve-se "ao facto da empresa nunca ter cumprido o protocolo celebrado com o sindicato (...) onde ficou estabelecida a obrigatoriedade do cumprimento integral da legislação laboral portuguesa até ao dia 01 de fevereiro de 2019, algo que até ao presente não foi concretizado”. Em causa estão o pagamento de subsídios de férias e de natal, a integração no quadro de efetivos da Ryanair de todos os tripulantes de cabine com mais de dois anos de serviço através de empresas de trabalho temporário, a atribuição dos 22 dias de férias mínimos e o cumprimento integral da lei portuguesa da parentalidade.

Esta quarta-feira Michael O'Leary, o controverso presidente-executivo da Ryanair, afirmou que a empresa tem 1500 pilotos e tripulantes a mais e anunciou despedimentos nas próximas semanas. Numa mensagem interna de vídeo dirigida aos trabalhadores, vista pelo canal Bloomberg e posteriormente confirmada pela empresa, O'Leary invocou a incerteza em torno do Brexit e a suspensão de voos dos Boeing 737 Max, parados em terra enquanto se apura as causas de dois acidentes fatais com o modelo, como motivos para uma queda de lucros e a decisão de encerrar ou reduzir atividade em algumas bases da Ryanair na Europa. Deixou mais detalhes sobre os despedimentos para o final de Agosto, estimando a agência Bloomberg que estes avancem em setembro-outubro e após o Natal. Em março deste ano, a empresa tinha cerca de 5500 pilotos e 9 mil tripulantes.