Segundo adianta o Diário de Notícias (DN) na sua edição desta sexta feira, Rui Machete revelou, numa entrevista à Rádio Nacional Angolana (RNA), que “Portugal já pediu desculpas diplomáticas às autoridades angolanas” pelo facto de existirem figuras do regime sob investigação pela justiça portuguesa, entre as quais o procurador-geral de Angola, João Maria de Sousa, o presidente do banco Atlântico, Carlos Silva, e as filhas do presidente José Eduardo dos Santos.
"Tanto quanto sei, não há nada substancialmente digno de relevo, e que permita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos formulários e de coisas burocráticas e, naturalmente, informar às autoridades de Angola pedindo, diplomaticamente, desculpa, por uma coisa que, realmente, não está na nossa mão evitar", afirmou Rui Machete.
Numa resposta enviada ao DN, o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros confirma que o tema "foi abordado [durante a entrevista da RNA], tendo o ministro respondido de forma diplomática".
O DN refere que fonte judicial confirmou que as “investigações a figuras angolanas ainda se encontram em curso no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) não existindo, por agora, nenhuma decisão final”. O jornal avança também que, “recentemente”, o “Estado angolano, num processo em que é vítima (assistente), até constituiu como seu representante o escritório de advogados PLMJ, do qual Rui Machete foi consultor até assumir funções como ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros”.
Catarina Martins pede explicações a Passos Coelho
Durante o debate parlamentar que teve lugar esta sexta feira, a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda pediu explicações ao primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, sobre esta matéria.
“A última vez que verifiquei existia separação de poderes em Portugal e, portanto, o ministro Rui Machete não pode dizer o que está a ser arquivado ou não”, adiantou a dirigente bloquista.
“Não podemos aceitar que um ministro se ajoelhe e que, perante um regime onde as mais básicas liberdades não são respeitadas, peça desculpa por Portugal ser um Estado de Direito Democrático”, referiu Catarina Martins.
“E, portanto, o que eu quero é ouvir do senhor primeiro ministro que as afirmações do ministro Rui Machete que estão hoje na comunicação social, e que humilham o nosso país, não correspondem à verdade”, rematou.