Ricardo Salgado foi detido

24 de julho 2014 - 9:48

O banqueiro está a ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, no âmbito da Operação Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais alguma vez detetada em Portugal.

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Suspeito de branqueamento de capitais. Foto de Miguel A. Lopes
Suspeito de branqueamento de capitais. Foto de Miguel A. Lopes

O todo-poderoso Ricardo Salgado, antigo presidente executivo do BES e conhecido como o DDT (Dono Disto Tudo) foi detido na manhã desta quinta-feira na sua residência, no Estoril. A operação foi desencadeada pelo Ministério Público e surge no seguimento de buscas efetuadas nesta quarta-feira, quarta-feira, a várias entidades do Grupo Espírito Santo. Ricardo Salgado será ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Buscas às sedes do GES

Esta quarta-feira à tarde, o Ministério Público fez buscas à sede do Grupo e visitou sociedades ligadas à família e empresas com relações comerciais com o GES. Nos Estados Unidos, supervisores financeiros norte-americanos voltaram ao BES Miami. Esta ação decorreu horas depois de o Tribunal do Comércio do Luxemburgo ter aprovado o pedido de gestão controlada apresentado pela ESI, que se declarou sem condições para pagar a dívida.

Já em Julho, o departamento da Florida do Federal Deposit Insurance Corporation tinha estado no ES Bank Miami. As autoridades terão voltado a Miami para investigar operações com as subsidiárias do ES do Panamá e da Venezuela.

Além das subsidiárias em Miami (e três sucursais em Nova York, Nassau-Bahamas e Ilhas Caimão) e no Panamá, o GES tem ainda um banco na Venezuela com atividade comercial com Miami e que também estará a ser vigiado pelas autoridades dos EUA.

Já na sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha assumido ao Jornal de Negócios estar a investigar o Grupo Espírito Santo, sublinhando que os inquéritos já estão em curso há várias semanas. "Existem inquéritos em curso relacionados com esta matéria e que são até anteriores às notícias das últimas semanas", afirmou a PGR.

Entretanto, em Maio, o Ministério Público já tinha anunciado a intenção de investigar o Grupo Espírito Santo depois de descobertas irregularidades na Espírito Santo International, sediada no Luxemburgo.