COP30

“A resposta somos nós”: Marcha Global pelo Clima junta 70 mil em Belém

16 de novembro 2025 - 19:19

Encontro histórico traz voz dos povos que não foram ouvidos nos espaços oficiais da COP30

por

Mariana Castro

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Manifestação em Belém do Pará
Marcha faz parte da programação da Cúpula dos Povo, evento paralelo e crítico às negociações oficiais na COP30

As ruas de Belém do Pará foram ocupadas, segundo a organização, por mais de 70 mil pessoas na manhã deste sábado (15) para a histórica Marcha Global pelo Clima, que ao contrário dos espaços oficiais da COP30, reuniu a diversidade de povos e reivindicações da sociedade civil em defesa de justiça climática.  

Com a força do lema ‘A resposta somos nós’, povos das florestas, dos campos e das águas empunhavam cartazes como “Agro é fogo”, “Não existe justiça climática sem reforma agrária popular” e o “colapso ambiental é capitalista”.

Foram percorridos 4,5 quilómetros até a Aldeia Cabana, espaço simbólico que representa a luta e resistência na região amazónica, em homenagem à Revolta da Cabanagem e no dia que marca também a Proclamação da República.

“Os trabalhadores do mundo inteiro caminham pelas ruas de Belém para dizer que a verdadeira república que a gente acredita é aquela que garante os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, que cuida da natureza pensando nas futuras gerações e sabe defender a soberania do nosso país. Fazemos aqui o nosso protesto em torno da agenda ambiental, mas também em torno de outras agendas que são urgentes”, aponta Ayala Ferreira, que compõe a direção nacional do Movimento Sem Terra (MST) e a comissão política da Cimeira dos Povos.  

União de indígenas e camponeses por um mesmo objetivo: justiça climática. Foto: Priscila Ramos / MST
União de indígenas e camponeses por um mesmo objetivo: justiça climática. Foto: Priscila Ramos / MST

A marcha compõe a programação da Cimeira dos Povos, encontro autónomo, em frente à COP30, construído por mais de 1.100 organizações. A mobilização trouxe as principais exigências populares. como a demarcação de áreas das comunidades tradicionais, mais unidades de conservação no país, investimento em energias renováveis, fortalecimento da agricultura familiar, restauração de manguezais e melhoria do saneamento urbano, entre outras.

Dyneva Kayabi, da direção da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira (Coiab) destacou a urgência de demarcação de terras indígenas para a garantia de justiça climática.

“Sem demarcação, não tem vida, não tem educação, não tem saúde. A resposta somos nós, porque, sem nós, não temos ar puro, floresta em pé, os rios vivos e não temos a mãe terra completamente preservada”.

Com muita criatividade, os blocos de movimentos populares apresentavam encenações artísticas como o Funeral dos Combustíveis Fósseis, que convocou a população a refletir sobre o fim da era do petróleo e a urgência de uma transição energética justa e democrática.

Da direção do Movimento dos Atingidos pela Mineração, Elane Barros, do Maranhão, defendeu a luta por um novo modelo mineral para o Brasil, que priorize a soberania popular, o controle social e a gestão sustentável dos recursos naturais.

“Todos os povos do mundo se encontram aqui para anunciar que a justiça climática só será possível se incluir e tiver como protagonistas os povos. Precisamos ter soberania na mineração, na alimentação e em todas as suas decisões”, pontua.

Ainda durante a concentração, ministros e parlamentares participam e fizeram discursos oficiais em frente ao Mercado São Brás, como as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e os deputados do PSOL Chico Alencar (RJ), Sâmia Bonfim (SP), Talíria Petrone (RJ), Tarcísio Motta (RJ).


Editado por: Rodrigo Durão Coelho. Artigo publicado em Brasil de Fato. Editado para português-PT pelo Esquerda.net

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