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Renúncia de Sérgio Figueiredo foi "desfecho inevitável de uma situação insustentável"

O antigo diretor de informação da TVI anunciou que já não será consultor de Fernando Medina. Líder parlamentar do Bloco diz que o desfecho "não absolve Medina de um processo reprovável, nem António Costa de uma desresponsabilização inaceitável".
Sérgio Figueiredo e Fernando Medina. Fotos de Mário Cruz/Lusa.

Num artigo publicado esta quarta-feira no Jornal de Negócios, Sérgio Figueiredo veio colocar um ponto final na polémica da sua contratação como "consultor estratégico" pelo ministro das Finanças, o mesmo Fernando Medina que chegou a comentador da TVI pela mão do então diretor de informação da estação televisiva. A justificar a sua decisão, Figueiredo queixa-se de ter sido "atingido pela manada em fúria, ferido por um linchamento público e impiedoso" e que “ficou insuportável tanta agressividade e tamanha afronta, tantos insultos e insinuações” de que afirma ser alvo após a contratação agora anulada ter sido tornada pública.

No artigo, Figueiredo procura rebater as principais críticas à sua contratação. Aos que a acusaram de desvalorizar as competências dos técnicos ao serviço do Ministério com qualificações para as funções que ia desempenhar, o antigo jornalista diz que iria levar “boas práticas que inspiram a definição de políticas públicas” por parte dos decisores politicos que hoje "são alimentados com conclusões tiradas das folhas de Excel”. Nas contas à comparação da remuneração que ia auferir com a dos ministros, Sérgio Figueiredo diz que iria ganhar menos do que já ganhou no setor privado ou do que o ministro, uma vez que não teria direito a despesas de representação nem subsídios. Sobre as suspeitas de troca de favores com Medina, responde que “o raciocínio é tão primário como insultuoso”.

Uma das vozes que criticaram a contratação de Sérgio Figueiredo e exigiram explicações ao Governo foi a do líder parlamentar do Bloco. Pedro Filipe Soares diz que a renúncia do antigo diretor de informação da TVI ao cargo "é o desfecho inevitável de uma situação insustentável e mostra como é possível travar os caprichos da maioria absoluta com a mobilização da opinião pública".

No entanto, ressalva Pedro Filipe Soares, esse desfecho "não absolve Medina de um processo reprovável, nem António Costa de uma desresponsabilização inaceitável", ao ter afirmado quando rebentou a polémica que não comentava as composições dos gabinetes dos governos e que "os membros do Governo são livres de fazerem as suas escolhas”.

 

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