“Governo deve explicações ao país sobre contratação de Sérgio Figueiredo”

09 de agosto 2022 - 11:51

Antigo administrador da Fundação EDP e ex-diretor da TVI vai receber salário de ministro para avaliar as políticas públicas. Pedro Filipe Soares denuncia “ausência de qualquer pingo de ética por parte do ministro Fernando Medina” e frisa que a contratação de Sérgio Figueiredo é criticável em vários aspetos”.

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Sérgio Figueiredo. Foto de Mário Cruz, agência Lusa, arquivo.

“A contratação de Sérgio Figueiredo é criticável em vários aspetos. Começa por ser uma desvalorização das competências da administração pública que nunca é chamada para fazer a avaliação das políticas públicas, das carreiras dos trabalhadores do Estado, em que é sempre a proximidade ao Governo que é valorizada e não a idoneidade ou a competência”, afirmou Pedro Filipe Soares em declarações ao Esquerda.net.

O dirigente bloquista sublinhou ainda que “ainda criticável na forma, um ajuste direto para uma contratação direcionada e feito para dar o lugar ao Sérgio Figueiredo”.

“Mas a crítica maior é a da ausência de qualquer pingo de ética por parte do ministro Fernando Medina: vai pagar agora uma avença a Sérgio Figueiredo, o mesmo que lhe pagou uma avença durante anos quando fazia comentário na TVI”, continuou Pedro Filipe Soares.

Francisco Louçã
Francisco Louçã

Não deixa de ser estranho, Sérgio Figueiredo

24 de setembro 2015

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda defendeu que “as escolhas públicas não podem estar reféns de redes de amigos ou do pagamentos de favores, o Governo deve explicações ao país e não pode esconder-se atrás da maioria absoluta para não as dar”.

Esta terça-feira, o Público noticiou que Sérgio Figueiredo foi contratado pelo Ministério das Finanças como consultor estratégico para fazer a avaliação e monitorização do impacto das políticas públicas. De acordo com o jornal diário, o contrato, por ajuste direto, que será publicado em breve no portal Base, tem a duração de dois anos. No documento está prevista “uma remuneração equiparada e limitada ao vencimento base do ministro das Finanças, transpondo para o contrato de consultoria o limite previsto na lei para o enquadramento remuneratório de membros de gabinetes ministeriais”, ou seja, 4767 euros.

O gabinete do ministro das Finanças confirmou ao Público que o ministério “contratou os serviços de Sérgio Paulo Jacob Figueiredo para prestar serviços de consultoria no desenho, implementação e acompanhamento de políticas públicas, incluindo a auscultação de partes interessadas na economia portuguesa e a avaliação e monitorização dessas mesmas políticas”.

No que respeita à forma de contratação, o gabinete de Medina escreve que “considerando a especificidade das necessidades de consultoria em causa, o procedimento de contratação tomou a forma de ajuste directo, em conformidade com o estabelecido no Código dos Contratos Públicos (CCP)”. Já sobre a escolha de Sérgio Figueiredo, é referido que a mesma baseia-se na natureza das qualificações especializadas do consultor – “inerentes a serviços de natureza intelectual”.