Rendimento dos portugueses só cobre metade do necessário para aceder a crédito à habitação

28 de fevereiro 2024 - 18:31

Análise de indicadores de acessibilidade à habitação em Portugal mostram que só em 45 de 278 dos concelhos do continente é que mais de metade dos agegados consegue cobrir o valor das prestações exigídas.

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Foto de Paulete Matos.

Segundo os dados do estudo do Gabinete de Estratégia e Estudos da Economia e do Mar, “Análise de indicadores de acessibilidade à habitação em Portugal: Perspetiva Regional”, que incide nas disparidades existentes no acesso à habitação entre e nas diferentes regiões de Portugal continental, mostram o agravamento geral da acessibilidade à habitação em Portugal . Metade das famílias não terá mais do que 53% do rendimento necessário para se qualificar para um crédito à habitação.

A análise dos autores do estudo mostra que em Portugal continental a mediana de rendimentos (1.091 euros) só chega a cobrir cerca de metade do necessário para suportar uma prestação ao banco perante os elevados valores da habitação (seriam necessários 2.063 euros). 

É apontado, também, que apenas em 45 concelhos do continente, menos de um quinto do total (278), é que pelo menos metade das famílias terão o rendimento mínimo necessário à compra de habitação com recurso ao crédito.

Em 2021, “o município de Freixo de Espada à Cinta, na região do Douro, foi o mais acessível em termos de habitação entre aqueles para os quais existiam dados disponíveis, com um índice de 175,7. Por outro lado, o município de Vila do Bispo, na região do Algarve, foi aquele onde se verificou uma mais baixa acessibilidade à habitação, com um índice de 30,8.”, lê-se no relatório. 

O que significa que “um agregado familiar com rendimento mediano no concelho de Freixo de Espada à Cinta detém cerca de 175,7% do rendimento necessário para se qualificar a um crédito destinado à aquisição de uma habitação de área mediana no próprio concelho, enquanto para o agregado familiar com rendimento mediano em Vila do Bispo esse valor é de apenas 30,8%.”

Segundo os autores, a par da área metropolitana de Lisboa, a região do Algarve tem visto uma degradação na acessibilidade à habitação, apresentando, entre os seus municípios, os mais baixos níveis de acessibilidade. 

Já nas regiões de Alentejo Central e das Beiras e Serra da Estrela concentram-se mais de um terço dos concelhos onde mais famílias conseguirão com relativa facilidade cobrir uma prestação de crédito à habitação.

Os resultados deste estudo sublinham a necessidade de políticas de habitação que considerem as questões da acessibilidade, nas suas diversas dimensões, bem como as idiossincrasias regionais e locais relevantes nesse domínio.