Remessas dos emigrantes chegam a ultrapassar fundos europeus

16 de janeiro 2024 - 16:30

Montante enviado pelos emigrantes para Portugal fixa-se em torno de 1,8% do Produto Interno Bruto. Em 2021, o valor ascendeu a 3,6 mil milhões de euros, com mais de metade das remessas a terem origem na França e Suíça.

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Foto de Andre Manoel, Flickr.

O “Atlas da emigração portuguesa”, a ser lançado esta terça-feira, pelas 18h, no ISCTE, refere que “a emigração é, em Portugal, um fenómeno de longa duração e grande amplitude que teve, no século XXI, um novo crescimento”.

Entre 2001 e 2020, terão saído anualmente do país, em média, mais de 75 mil pessoas, num total de 1,5 milhões, o equivalente a perto de 15% da população total do país. Atualmente, viverão espalhados pelo mundo mais de 2.6 milhões de emigrantes portugueses, e 30% dos jovens nascidos em Portugal vivem fora do país. Medida em termos relativos, a emigração portuguesa é a maior da Europa e a oitava maior do mundo.

O trabalho de Rui Pena Pires, Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo e Carlota Moura Veiga revela que as remessas dos emigrantes portugueses equiparam-se aos fundos europeus que, anualmente, são transferidos para Portugal. Em alguns anos, o montante chega, inclusive, a ultrapassar esses mesmos fundos.

Segundo é avançado no “Atlas da Emigração Portuguesa”, só em 2021 os emigrantes enviaram para Portugal 3,6 mil milhões de euros, com França e Suíça a figurarem como os países de origem de mais de metade das remessas.

Rui Pena Pires, coordenador científico do Observatório da Emigração, explica que tal acontece porque “França tem mais de meio milhão [600 mil] de pessoas nascidas em Portugal”, sendo “normal que países com menos emigrantes portugueses não tenham o mesmo impacto nas remessas”.

O Atlas evidencia que, “na segunda década do século XXI, o valor das remessas recebidas em Portugal estabilizou em torno dos 1,8% do Produto Interno Bruto”.

“Mas já representou mais de 10%, no pós-25 de Abril. Fiz a comparação com os fundos europeus para as pessoas se aperceberem da verdadeira dimensão das remessas. Claro que o impacto é diferente, porque são transferências entre particulares. É mais diverso, menos concentrado e tem impacto nalguma desigualdade, porque alguns têm acesso a essas poupanças e outros não”, detalha Rui Pena Pires.

A emigração, hoje, explica o coordenador científico do Observatório, “é mais qualificada”. “Mas a população portuguesa também é mais qualificada do que era no passado. Há um número que acho que esclarece tudo: no Censo de 1981, a percentagem de adultos portugueses com mais de 30 anos que era analfabeta chegava aos 30%. Hoje, é inimaginável”, sublinha.

Países da Europa são destino de 80% da emigração portuguesa, com destaque para Suíça, França, Espanha, Alemanha e Reino Unido. Com o Brexit, a entrada neste último diminui expressivamente. E, na última década, intensificou-se a emigração para os Países Baixos e Escandinávia.

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