O número oficial de vítimas mortais da ofensiva sionista em Gaza ultrapassa já as 40.000. Um saldo que tem um outro lado: os lucros já obtidos ou esperados de algumas grandes empresas mundiais com o conflito.
O Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica lançou um relatório no qual identifica algumas das áreas que mais dinheiro ganham ou esperam vir a ganhar com o genocídio em Gaza e a ocupação da Cisjordânia. Desde o complexo militar-industrial, às grandes empresas tecnológicas, petrolíferas, imobiliárias, do setor automóvel, até às do turismo.
Ao jornal argentino Página 12, Leandro Alvarez De Lorenzo, autor do documento, salienta o papel do interesse económico despertado pela ocupação israelita: “a Palestina e as suas pessoas converteram-se ao longo dos anos em laboratórios de desenvolvimento de tecnologia para a guerra que depois se adaptaram às necessidades civis e de mercado”. Para além disso, “a colonização ilegal israelita também não teria razão de existir sem o enorme negócio imobiliário que lhe está subjacente”. Assim, “enquanto à superfície muitos veem horror, guerra, destruição e genocídio, outros veem oportunidades de negócio.
Uma das que ficou mais conhecidas nos últimos tempos é o “Projeto Nimbus”, o contrato entre os gigantes tecnológicos Amazon Web Services e Google Cloud e o Governo de Israel, no valor de 1.220 milhões de dólares, para disponibilizarem serviços “na nuvem” que são utilizados também para fins militares e que são fundamentais para as Forças Armadas de Israel no contexto da sua guerra tecnológica.
Outro exemplo de negócio desta área vem dos sistemas de vigilância que incluem radares e câmaras com sensores que detetam movimentos humanos vendidos pela filial da Motorola em Israel ao Ministério da Defesa. Para além disso, a Motorola Solutions Israel tornou-se o ano passado o fornecedor exclusivo de 4G para o exército israelita.
Elon Musk também entra nos negócios com Israel. Em novembro de 2023, o ministro israelita das Comunicações, Shlomo Karai, anunciou a instalação da sua rede Starlink em Gaza. A partir de Israel claro, “sem obter qualquer autorização e não deixar qualquer tipo de reembolso na Palestina”.
No setor imobiliário, o Celag realça o papel da multinacional norte-americana RE/MAX LLC. A sua filial israelita tem mesmo um escritório num colonato, em Ma'ale Adumim, e a empresa beneficia sistematicamente da expansão colonial sionista para os territórios ocupados. O mesmo acontece com as plataformas digitais Airbnb, Booking.com e Expedia, o que já tinha sido denunciado por um relatório da Amnistia Internacional em 2019.
No setor automóvel, o destaque vai para a Ford, fornecedora de chassis para veículos blindados do exército israelita.
A Chevron por seu turno extrai gás no Mediterrâneo Oriental ganhando milhões com e isso e permitindo fortalecer o arsenal de guerra de Israel. O Celag dá conta de um contrato assinado em junho de 2022 por Ursula von der Leyen, em nome da União Europeia, com esta empresa para o transporte “através de um gasoduto que atravessa a Palestina para chegar ao Egito e a partir dali à Europa e sem pagar um único cêntimo às autoridades palestinianas”.