Relações de paz com Israel só se a Palestina “conseguir a sua liberdade”

22 de agosto 2020 - 19:00

A Liga Árabe só admite a normalização das relações com Israel quando existir um Estado palestiniano independente com total soberania sobre os seus territórios. Declarações surgem na sequência da assinatura de um "acordo histórico" entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.

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"Palestina livre", muro israelita em Belém.
"Palestina livre", muro israelita em Belém. Foto de Montecruz Foto/Flickr

A assinatura do Acordo de Abraão entre Israel e os Emirados Árabes Unidos (EAU) continua a gerar reações. Ahmed Abul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe, não fez uma referência direta ao acordo, mas afirmou que estabelecer relações de paz com Israel é uma "opção estratégica para os países árabes”, mas apenas quando a Palestina "conseguir a sua liberdade”. 

Em comunicado, Gheit voltou a defender o fim da “ocupação israelita” na Palestina e a existência de um Estado palestiniano independente com total soberania sobre os seus territórios ser estabelecido, citou a agência Lusa. 

"Uma paz real e duradoura continua a ser uma opção estratégica para os países árabes (…), mas a etapa de relações de paz entre árabes e israelitas só chegará quando o povo palestiniano obtiver a sua liberdade e independência e quando houver a restauração dos seus direitos legítimos". 

O documento defende ainda a “total soberania” do povo palestiniano sobre “os territórios ocupados em 1967”, tendo em Jerusalém Oriental a sua capital. 

"Há uma rejeição árabe completa e unânime dos planos de anexação de Israel" e de qualquer medida "unilateral" que vise "mudar o estatuto das terras ocupadas por Israel”, concluiu.

Já na passada sexta feira o príncipe saudita Turki al-Faisal afirmou publicamente que o preço para a Arábia Saudita normalizar as suas relações com Israel é a criação de um Estado palestiniano soberano com Jerusalém como capital. 

O acordo assinado entre Israel e os EAU estabelece relações diplomáticas entre os dois países. Incluídos no acordo de paz estão a troca de embaixadores e trocas comerciais, incluindo voos diretos entre Abu Dhabi e Telavive, e estaria também o fim imediato da anexação de novos territórios palestinianos por parte de Israel.

A assinatura do acordo foi de imediato recebida na Palestina com ultraje e acusações de traição. Também o Irão e a Turquia criticaram publicamente o acordo. 

Mas mesmo entre os dois subscritores do Acordo de Abraão parecem existir desentendimentos. Para os EAU, o fim da anexação de novos territórios palestinianos era garantido com a assinatura do acordo histórico. Mas Israel apressou-se a vir a público desmentir essa afirmação. Para Netanyahu a anexação está apenas “adiada” e “não anulada”. 

Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro país árabe a estabelecer relações diplomáticas plenas com Israel, depois do Egito (1979) e Jordânia (1994).