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Israel e EAU assinam acordo, mas já há divergências sobre anexação da Cisjordânia

Segundo os Emirados Árabes Unidos, este acordo inclui o fim imediato da anexação de novos territórios palestinianos por parte de Israel. Já Netanyahu faz saber que a anexação foi apenas “adiada” e “não está anulada”. Na Palestina fala-se em traição.
Israel e EAU assinam acordo, mas já há divergências sobre anexação da Cisjordânia
Fotografia de Maureen/Flickr.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, classificou o estabelecimento de relações diplomática com os Emirados Árabes Unidos (EAU) como um “dia histórico”. Já Abu Dhabi afirmou tratar-se de uma “vitória” da diplomacia. Com o Acordo de Abraão, é assim que se chama, os EAU tornam-se no primeiro Estado Árabe do Golfo a estabelecer relações diplomáticas com Israel.

Estas declarações ocorrem depois de Donald Trump ter anunciado a normalização das relações diplomáticas entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, que considera a iniciativa parte do plano de paz dos Estados Unidos da América para o Médio Oriente. 

Segundo a agência Lusa, este é um “acordo de paz completo com troca de embaixadores e trocas comerciais, incluindo voos diretos entre Abu Dhabi e Telavive”.

“Os Emirados vão investir quantias significativas em Israel (…) Esta é uma abertura pela paz na região”, adiantou o primeiro ministro israelita.

Segundo Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, este acordo garante que Israel não anexará novos “territórios palestinianos”.  

“Numa ligação entre o Presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu, um acordo foi alcançado para encerrar qualquer anexação adicional de territórios palestinianos”, escreveu o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan no Twitter. 

Porém, essa não é exatamente a mesma leitura de Benjamin Netanyahu. Este diz que a anexação dos territórios da Cisjordânia foi “adiada”, mas pode voltar um dia, não tendo o seu governo desistido da mesma.

“A aplicação da soberania (israelita) na Judeia e Samaria (nome bíblico da Cisjordânia) está em cima da mesa (…) não está anulada”, disse o primeiro-ministro de Israel em discurso.

Na Palestina fala-se em traição

As notícias recolheram de imediato reações na Palestina. Para o Hamas, os Emirados Árabes Unidos “esfaquearam” o povo palestiniano ao chegarem a um acordo com Israel e Donald Trump. Qualquer acordo entre os dois países "não serve à causa palestiniana de forma alguma”, afirmam.

Já a Autoridade Palestiniana denuncia a assunção de “negociações secretas e normalização com Israel” por parte dos Emirados. 

“Israel foi recompensado por não declarar abertamente o que tem feito à Palestina de forma ilegal e persistente desde o início da ocupação” em 1967, disse no Twitter Hanan Ashrawi da Autoridade Palestiniana. 

A Autoridade Palestiniana anunciou para esta noite uma reunião de urgência para discutir a matéria da qual se espera que saia uma reação formal. 

“Os dirigentes palestinianos rejeitam o que os Emirados Árabes Unidos fizeram. Trata-se de uma traição a Jerusalém e à causa palestiniana”, indicou num comunicado a direção palestiniana, apelando para uma “reunião de emergência” da Liga Árabe, para denunciar o acordo apoiado pelos Estados Unidos.

Também a Turquia e o Irão reagiram negativamente a esta notícia. Erdogan admite mesmo suspender as relações diplomáticas com os EAU e retirar o seu embaixador daquele país. Já o Irão diz que o acordo é “um punhal cravado injustamente nas costas do povo palestiniano e de todo os muçulmanos”.

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