Apesar da crise pandémica ameaçar ressurgir com a nova variante Delta a provocar um aumento de casos de infeção, são várias as medidas de proteção aprovadas no início da crise que irão terminar no fim do primeiro semestre do ano.
É o caso da moratória que impede despejos e denúncias de contratos de arrendamento, a suspensão da cessão dos contratos de arrendamento não habitacional, a redução nas rendas dos centros comerciais, a proibição de corte de comunicações eletrónicas e de energia e as moratórias privadas da Associação Portuguesa de Bancos para crédito ao consumo.
Para a deputada bloquista Maria Manuel Rola, “estas medidas deveriam ser, como foi proposta do Bloco, prolongadas até ao final de 2021, pelo menos”.
O facto de estarmos ainda “a meio de uma pandemia com a economia fortemente limitada” e de já se falar “numa quarta vaga” mostra que as condições para a recuperação estão longe de estarem reunidas. Maria Manuel Rola acusa o Governo de “optar por deixar as pessoas à sua sorte, não prolongando medidas que protegem o elementar das suas vidas”.
“Estas opções acrescentarão crise à crise que vivemos e aprofundam o caminho de abandono de quem mais tem sofrido com a pandemia e que eram já quem tinha a vida mais precária e menos estável”, sublinhou a deputada do Bloco em declarações ao Esquerda.net.
Um estudo divulgado na semana passada pelo Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa concluiu que 400 mil pessoas foram atiradas para a situação de pobreza em consequência da crise provocada pela pandemia, com particular impacto nas classes baixa e média-baixa, a região do Algarve e as pessoas com escolaridade até ao nono ano.
Em meados de junho, o Observatório sobre Crises e Alternativas do Centro de Estudos Sociais alertava que “o fim das moratórias de crédito em setembro próximo, em simultâneo com o término de outras medidas extraordinárias de mitigação dos efeitos da pandemia, acarreta riscos elevados”, nomeadamente o do “aumento abrupto das insolvências e do desemprego que se queria evitar, comprometendo a retoma económica”.