Lucro das petrolíferas europeias disparou 43% com a guerra

08 de maio 2026 - 11:44

Análise da Global Witness às contas de seis grandes petrolíferas europeias no primeiro trimestre do ano mostra que foi batido o recorde do lucro arrecadado com a invasão russa da Ucrânia em 2022.

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omba de gasolina
Foto de Paulete Matos

A BP, Repsol, Shell, TotalEnergies, Eni e Equinor viram os seus lucros entre janeiro e março deste ano disparar 43% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Ao todo foram 21.700 milhões de dólares à boleia da instabilidade criada pelas ameaças e os ataques dos EUA e Israel ao Irão. Estes números não incluem os lucros da portuguesa Galp, que subiram 41%, em linha com as congéneres europeias.

Segundo a análise da ONG Global Witness às contas trimestrais das petrolíferas, aquelas seis gigantes europeias não ganhavam tanto desde o último trimestre de 2022, à boleia da invasão russa da Ucrânia que também provocou o aumento do preço dos combustíveis. 

Só as três maiore empresas - Shell, BP e TotalEnergies - já arrecadaram em lucros 252 mil milhões de dólares desde o início da guerra na Ucrânia. E desde que começou a guerra ao Irão, os seus acionistas foram premiados com 10 mil milhões de dólares em dividendos.

“Está na hora de nos libertarmos do ciclo vicioso dos combustíveis fósseis – precisamos de impostos rigorosos sobre os grandes poluidores para proteger as famílias dos choques de preços e financiar um futuro energético mais barato, mais limpo e mais estável para todos“, afirmou Patrick Galey, diretor de investigações da Global Witness, acrescentando que “é revoltante ver gigantes petrolíferos como a Shell a acumular quantias obscenas de dinheiro” enquanto as pessoas se debatem com o aumento do custo de vida ou veem as suas vidas destruídas pela guerra.