Regresso do Hospital de Braga à esfera pública "é o único caminho a seguir

12 de dezembro 2018 - 22:56

De acordo com o Bloco, o fim da Parceria Público Privada (PPP) entre o Estado e o Grupo Mello Saúde “é a única forma de garantir os critérios de qualidade na prestação de cuidados de saúde".

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Foto de Hugo Delgado/Lusa.

Esta quarta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou, no final de uma audição na comissão parlamentar de Saúde, que o Hospital de Braga poderá voltar à esfera do Serviço Nacional de Saúde por "indisponibilidade definitiva" do gestor privado em prolongar o atual contrato de gestão público-privada.

Lamentando que a iniciativa "não tenha partido do Governo", o deputado do Bloco eleito pelo círculo de Braga, Pedro Soares, afirmou, em declarações à Lusa, que o fim da Parceria Público Privada (PPP) entre o Estado e o Grupo Mello Saúde que gere o Hospital de Braga "é o único caminho a seguir".

O dirigente bloquista alertou o Ministério da Saúde para a necessidade de "começar já a trabalhar numa equipa que assegure a gestão" daquela unidade de saúde.

Até ao momento, não foi lançado um novo concurso para a gestão público-privada e, conforme assinalou Marta Temido, não daria tempo de o mesmo estar concluído até agosto de 2019. Acresce que o gestor privado não está interessado no prolongamento do atual contrato.

"É uma boa notícia. Acho que mais do que uma possibilidade é uma exigência que termine esta PPP, porque a atitude do parceiro privado não é compatível com os níveis de exigência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", frisou Pedro Soares, avançando que "o regresso à espera pública do Hospital de Braga é a única forma de garantir os critérios de qualidade na prestação de cuidados de saúde".

O deputado acusou ainda a José de Mello Saúde de estar a "fazer pressão" sobre o Estado na renovação da PPP, salientando que "não há outro caminho a seguir que não o do fim desta PPP e o SNS assegurar a gestão do hospital".

Também o deputado bloquista com a pasta da Saúde, Moisés Ferreira, defende que “a decisão pode e deve ser tomada de imediato, sem ceder ao Grupo Mello ou a outros interesses completamente alheios ao interesse público”.