Reformados protestam contra os cortes

10 de outubro 2013 - 14:05

Pensionistas e reformados concentraram-se junto à caixa geral de aposentações (CGA) para protestar contra os cortes “ilegais e imorais” nas pensões. A ação levada a cabo nesta quinta-feira foi convocada pela APRe! - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados.

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Maria do Rosário Gama, presidente da APRe!, declarou à Lusa: "Este protesto simbólico tem como objetivo dizer que estamos indignadíssimos com os cortes nas pensões" - Foto de José Sena Goulão/Lusa

À agência Lusa, Maria do Rosário Gama, presidente da APRe!, declarou: "Este protesto simbólico tem como objetivo dizer que estamos indignadíssimos com os cortes nas pensões".

"Nós achamos que estes cortes, depois de uma vida de trabalho (...), são a violação total do princípio da confiança", afirmou a presidente da associação, lembrando que além dos cortes nas pensões, há a contribuição extraordinária de solidariedade, a sobretaxa de IRS e “o nível de vida que aumentou de forma brutal”.

Uma reformada presente na ação afirmou à Lusa: “Eu trabalhei muitos anos, descontei sempre, fui reformada com a lei que estava vigente e não há direito que nos estejam a fazer o que estão a fazer, não dignifica as pessoas. O país vai cair todo numa miséria”. A chorar, esta reformada disse ainda à Lusa que tem uma “revolta muito grande”: “Na minha família, tenho pessoas que estão a passar por graves situações. Tenho um filho licenciado que está emigrado há muitos anos e eu não posso perdoar isto aos nossos governantes”.

Outra reformada diz que “dá a sensação que o Governo quer que morramos o mais depressa possível”, acrescentando que os idosos têm “cada vez menos qualidade de vida”, porque têm de dar apoio à família e salientando que estes cortes nas pensões são “uma injustiça”, porque vão retirar aos reformados do Estado dinheiro que descontaram.

"Só no período 1993-2003, se o Estado tivesse pago à CGA 23,75% das remunerações, a CGA com o excedente obtido, rentabilizado à taxa de 4%, teria agora uma reserva de 12.623 milhões de euros", sublinhou esta reformada, citando uma informação escrita no panfleto que estava a distribuir.

Maria do Rosário Gama disse ainda à Lusa que “as pessoas, neste momento, têm que optar entre casa, pão e saúde e isto é um drama que está a atingir muitos pensionistas e reformados", e contou um caso que a deixou “impressionadíssima” de um senhor que lhe escreveu a dizer que só tinha duas soluções: a insolvência ou o suicídio.

Segundo o relatório “Portugal Saúde Mental em Números”, em 2011 suicidaram-se pelo menos duas pessoas por dia em Portugal, sendo a maior incidência de casos de suicídio entre os idosos com mais de 70 anos. De acordo com aquele relatório, em 2011 a taxa de mortalidade por suicídio em 2011 foi de 21,4 por 100 mil habitantes em pessoas idosas com mais de 70 anos.

Na concentração, muitos dos reformados envergavam t'shirts pretas e brancas com a inscrição "Não somos descartáveis".