Refinaria Balboa recebeu parecer negativo do Governo espanhol

02 de abril 2012 - 17:59

Na quinta-feira passada, o Ministro do Ambiente do Estado espanhol anunciou o parecer negativo atribuído ao projeto da Refinaria Balboa na Serra de São Jorge. Plataforma cidadã “Refinaria Não” fala em vitória e nomeia importante apoio do Bloco de Esquerda, entre outros.

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A Plataforma cidadã “Refinaria Não” fala em vitória e nomeia importante apoio do Bloco de Esquerda, entre outras organizações portuguesas como a Quercus e o Geota. Foto Bloco de Esquerda Portalegre/Flickr

Na quinta-feira passada, na mesma jornada de greve geral convocada pelos sindicatos contra a política económica do governo de direita, o Ministro do Ambiente do Estado espanhol anunciou o parecer negativo atribuído ao projeto da Refinaria Balboa na Serra de São Jorge. A Plataforma cidadã “Refinaria Não” fala em vitória e nomeia importante apoio do Bloco de Esquerda, entre outras organizações portuguesas como a Quercus e o Geota.



Depois de sete anos e meio, desde que o projeto fora publicitado pelo então presidente da Junta de Extremadura, Rodríguez Ibarra, o Ministério do Ambiente espanhol deu razão aos cidadãos e organizações que se envolveram nas campanhas da “Refinaria Não” e rejeitou a construção de uma refinaria de petróleo no interior de região da Extremadura.



A notícia foi recebida com alegria pelas associações ambientalistas espanholas e portuguesas que estiveram envolvidas na luta contra este projeto que prejudicava todo o sudoeste peninsular, nomeadamente as regiões de Extremadura, Andalucia e Alentejo.  



A Plataforma cidadã “Refinaria Não” sublinha que o projeto se mostrava inviável há muito tempo, mas que se manteve em vigência por motivos exclusivamente políticos. A autoridade regional tem ainda a possibilidade de colocar um recurso administrativo, embora tudo indique que não o venha fazer.  



As alegadas razões para a rejeição do projeto por parte dos técnicos do Estado coincidem com os argumentos das associações opostas à construção da Refinaria Balboa.



Em primeiro lugar, o impacto ambiental no Parque Nacional de Doñana, declarado Património da Humanidade pela UNESCO, mas, além disso, também são referidos os perigos para a fauna do Golfo de Cádiz, o incremento do tráfego marítimo de petroleiros, pelo risco de acidentes, uma ameaça extensiva à costa algarvia portuguesa. O projetado oleoduto de 180 km desde a costa até o interior de Extremadura foi visto também como um possível perigo de poluição. Por fim, a devastação da paisagem é outra das razões apontadas pelo Ministério, pois o traçado do oleoduto seria paralelo à Via da Plata, antiga rota comercial no tempo dos romanos e Caminho de Santiago depois.



A exposição do Ministério do Ambiente sublinha também a oposição internacional ao projeto, por parte de Portugal e da UNESCO.



A intervenção portuguesa foi importante para contestar o projeto desde há 4 anos.

Efetivamente, muitos alentejanos temiam que a Refinaria Balboa pusesse em causa o desenvolvimento turístico e a agricultura da região, preocupados sobretudo com o impacto ambiental na bacia do Guadiana, em especial a Barragem do Alqueva.