O deputado do Bloco considera que a questão da transição energética não deve ficar nas mãos dos grandes grupos privados, razão pela qual apela a que o Estado tenha uma maior interferência.
Admitindo que o problema das alterações climáticas possa ser “um dos mais importantes” da atualidade, Soares considera que “todos os atores políticos deveriam fazer um grande esforço no sentido de colocar esta questão no debate e na agenda política” e que “Portugal tem de dar um contributo fundamental para que o Acordo de Paris seja levado a cabo”.
Na opinião do deputado, “falta em Portugal uma lei das Alterações Climáticas e da Transição Energética, que coloque em lei os mecanismos e os objetivos para se lá chegar” Assim, preocupa-se “não tanto com as metas que estão previstas no roteiro para a neutralidade carbónica, mas no que toca aos meios que o Estado tem para levar a cabo esses objetivos”.
Lembrando que Portugal é o país com maiores níveis de exposição solar, lembra ainda que é o país da união Europeia com menos energia fotovoltaica. “Temos uma insipiência completa relativamente àquilo que poderia ser a maior fonte de energia para o nosso país”, afirma, defendo a ideia de que “até 2050” Portugal tenha “neutralidade carbónica” e que “até 2030” se acabe “com o carvão na produção”. Neste sentido, afirma que o único mecanismo que o Estado tem para colocar isto em prática é a fiscalidade. “Vamos ficar dependentes de privados que vão ter mais ou menos benesses fiscais para fazerem investimentos para que haja transição energética no nosso país?”, pergunta.
“Temos de ter em mente que boa parte do investimento e da rede de produção de energia eólica ou de produção de energia hídrica está ligada a grupos privados. Em termos públicos, temos pouca ou nenhuma capacidade de concretizar objetivos. Em grande parte, estamos dependentes da lógica de rendimento imediato que determinado investimento vai ter, quando sabemos que a transição energética, independentemente de poder ou não dar lucros a determinada empresa, é fundamental.”, defende Pedro Soares.
O deputado defende ainda que os lóbis no setor da energia “só estão interessados em que haja transição na medida em que isso lhes der mais lucro”. “Precisamos de uma transição o mais rápida possível e há interesse nisso em termos ambientais. Precisamos de interiorizar esta ideia: se não fizermos esta transição o mais depressa possível, corremos o grave risco de estar a cair numa situação de irreversibilidade.”, aponta.
“Se se tornar irreversível, temos de mudar tudo neste país e neste mundo. Passamos a ter o nível médio das águas do mar a subir, o que vai invadir os nossos territórios. Passamos a ter os efeitos dos fenómenos extremos em termos climáticos nos incêndios florestais, nas secas, nas cheias. É isto que está em causa. Agora reduzir isso à lógica dos acionistas das grandes empresas é que é uma irresponsabilidade total.”, sentencia.