O que são estas Jornadas contra o Governo da Troika?
As Jornadas Contra o Governo da Troika partem de uma ideia muito clara do que é o centro da política em Portugal desde que há um ano atrás a intervenção da troika determinou tudo o que são as políticas económicas, as políticas de direita que o Governo tem estado a implementar. A troika determina a austeridade em Portugal e facilita o caminho da direita para os despedimentos, para a flexibilização dos direitos laborais, para a precarização, para a destruição dos serviços públicos. Portanto a troika é o centro da política e é contra ela que temos de apontar todas as forças da resistência em Portugal.
Em segundo lugar, todos os temas da vida são marcados pela intervenção da troika. Seja ao nível das freguesias e da reforma administrativa seja ao mais pequeno nível de um serviço público que desaparece numa pequena freguesia rural, dos transportes em Lisboa ou Porto, do Ministério da Cultura que desapareceu, do encerramento da Maternidade Alfredo da Costa… Tudo isso são temas que marcam a vida das pessoas e estão diretamente relacionados com a intervenção da troika.
Organizamos umas jornadas que simbolicamente marcámos para uma data entre o 25 de abril e o 1º de maio, em que todas estas lutas confluem para a rua, em que nós demonstramos que existe de facto uma resistência, que a queremos ampliar numa grande corrente de contestação a estas medidas por uma alternativa de esquerda pelo emprego e pela economia.
Por onde vão passar as iniciativas das Jornadas?
As Jornadas contra o Governo da Troika começam na sexta 26 à noite, num comício de rua em frente ao café "Piolho" no Porto, com uma sessão de rua e música. Prossegue no dia 27 com um percurso na cidade do Porto que vai marcar vários temas, seja as questões da cultura, da educação ou dos transportes públicos - tem uma parte do percurso que é feita precisamente no Metro do Porto para sinalizar os cortes que têm sido feitos no acesso à mobilidade e nos transportes públicos. No final da tarde, segue para Braga, com um comício em Riba d'Ave. É um distrito muito jovem e muito marcado pelo desemprego e a precariedade. No comício em que participa Francisco Louçã, iremos falar das alternativas à austeridade.
No sábado de manhã, o percurso inicia-se no mercado de Benfica, em Lisboa, com uma intervenção pública junto ao mercado. Em seguida há um percurso até ao Chiado onde abordaremos vários temas, desde o BPN à Maternidade Alfredo da Costa, passando pelos transportes públicos e precariedade. O percurso termina na Faculdade de Belas Artes, no Chiado, onde dedicaremos a tarde ao debate sobre a solidariedade europeia como única forma de enfrentar a política de austeridade que é também europeia. Trata-se de uma Conferência chamada "Democracia, crise e identidades", com a participação de alguns parlamentares europeus, incluindo um dirigente do Sinaspismos (da coligação grega Siryza) para falarmos das experiências de resistência em vários sítios da Europa. A tarde continua com diversos workshops sobre a resistência social - precários, inquilinos, ciberativistas -, um debate para desfazer ideias feitas sobre os mitos e as narrativas que justificam a austeridade, sobre se "vivemos acima das nossas possibilidades".
Teremos ainda espaços de convívio antes do encerramento à noite no Largo Camões, com uma concerto dos King Mokadi e dos Bandex.
Como é que as pessoas podem participar nestas Jornadas?
O programa das Jornadas está a ser atualizado no esquerda.net e no evento "Jornadas contra o Governo da Troika" no Facebook. As pessoas podem inscrever-se no portal ou preeenchendo a ficha de inscrição no facebook e enviando-a por email. De acordo com as inscrições, organizaremos transportes de vários pontos do país para o programa que as pessoas preferirem, seja no Porto ou Lisboa, ou mesmo nos três dias das Jornadas. Apelamos a que todos os participantes nesta marcha tragam consigo os seus temas, os seus cartazes, as suas faixas, também para dizer em que é que as políticas da troika os afetam diretamente.
Queremos trazer e juntar essas experiências, para que nesse encontro possamos construir juntos estas Jornadas, abrindo os caminhos da alternativa e sobretudo demonstrarmos que há uma corrente social que está a ganhar força e quer constituir-se em maioria para contestar estas medidas e para construir cada vez mais uma alternativa que recuse a troika e a dívida ilegítima, que imponha uma renegociação da dívida em nome dos trabalhadores, em nome do emprego e da economia.