Um documento de trabalho publicado na página do Banco Central Europeu calcula de forma inovadora os lucros que grandes multinacionais estão a esconder nos chamados “paraísos fiscais” como as Ilhas Caimão ou os Emirados Árabes Unidos.
O trabalho, intitulado “Global evidence on profit shifting within firms and across time”, é assinado pelos economistas Fotis Delis, Manthos D. Delis, Luc Laeven e Steven Ongena e apresenta imediatamente a ressalva de não representar “necessariamente” os pontos de vista do BCE.
Nele se descobre que é a Apple, a fabricante do iPhone, a líder neste “ranking”, tendo desviado mais de metade (52%) dos lucros que obteve entre 2009 e 2020 para filiais com sede em offshores/paraísos fiscais. Num total de 628.000 milhões de dólares de lucros, cerca de 326.000 milhões foram para estas localizações com baixos impostos ou sem qualquer tributação.
Na lista seguem-se a Saudi Aramco (com 309 mil milhões, 49% do total dos lucros), a Microsoft (com 213 mil milhões, 60% dos lucros), a ExxonMobil (200 mil milhões, 45% dos lucros), a Samsung (182 mil milhões, 53% dos lucros), a Walmart (153 mil milhões, 60% dos lucros), a Chevron (140, 56% dos lucros), a Verizon (131 mil milhões, 58% dos lucros) , a AT&T (130 mil milhões, 64% dos lucros) e a Alphabet, a empresa dona da Google (127 mil milhões, 47% dos lucros).
Este documento foi publicado depois do anúncio de que as grandes multinacionais dos Estados Unidos estarão afinal isentas do mínimos global de 15% sobre os lucros que, no quadro da OCDE e do G20, deveria ser pago pelas grandes empresas mundiais.
De acordo com um relatório da Comissão Europeia de finais de janeiro, as receitas fiscais de impostos pagos por empresas aumentariam em média 7,1% ou 26 mil milhões de euros anuais se esta medida fosse implementada “a curto prazo” por todos os países da União Europeia.