Catarina Martins prestou declarações à saída do quarto Congresso dos Jornalistas. Este teve início esta quinta feira sob o lema "Afirmar o jornalismo" e prolongar-se-á até domingo, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Catarina sublinhou que "não há nenhuma democracia sem imprensa e não há democracia sem liberdade”.
A coordenadora do Bloco referia-se nas suas declarações a um estudo de investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCT, segundo o qual um terço dos jornalistas trabalha sem qualquer vínculo laboral e dois terços têm contratos de trabalho, mas muitos dos quais são contratos precários. Perante esta instabilidade, quase 37% dos jornalistas admite que o medo de perder o emprego condiciona “muito ou totalmente” o seu desempenho profissional.
"Quando metade dos jornalistas são trabalhadores precários, sabemos que o poder político falhou, ao deixar que a precariedade se instale”, afirmou Catarina Martins. Para combater a precariedade laboral, há uma "responsabilidade política", e os políticos são agentes que "têm condições" para, por vias legais, reforçar o papel do jornalismo, sublinhou Catarina. Em conclusão, a dirigente bloquista afirmou que é fundamental um "jornalismo forte", que responda aos "imensos desafios" atuais.
Na sua intervenção no congresso, Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, afirmou que "não há jornalismo sem jornalistas” e que a "liberdade de imprensa é uma causa dos cidadãos”. O estudo já citado revelou ainda que a maioria dos jornalistas recebe menos de mil euros líquidos por mês, que Sofia Branco considerou serem salários "indignos para a responsabilidade social que a profissão tem”.
Ao contrário das edições anteriores, organizadas apenas pelo Sindicato dos Jornalistas, este ano o evento conta ainda com a organização da Casa de Imprensa e do Clube de Jornalistas. O último congresso tinha sido realizado há quase vinte anos atrás.