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PS quer “maioria absoluta para retroceder” em áreas em que houve avanços

Catarina Martins afirma que PS quer “mãos livres e maioria absoluta” para poder voltar atrás em áreas nas quais a generalidade da população reconhece avanços. Coordenadora do Bloco de Esquerda comentava as declarações de Mário Centeno sobre maioria absoluta.
Ainda bem que a “esquerda teve força” para subir o salário mínimo nacional e para descongelar pensões e aumentá-las, afirma Catarina Martins. Foto de Paula Nunes.
Ainda bem que a “esquerda teve força” para subir o salário mínimo nacional e para descongelar pensões e aumentá-las, afirma Catarina Martins. Foto de Paula Nunes.

Mário Centeno e o Partido Socialista querem ter “mãos livres e maioria absoluta” para retroceder nas áreas nas quais a maioria da população “reconhece avanços”, afirma Catarina Martins.

“O que eu registo é que o Partido Socialista quer mãos livres, quer maioria absoluta para retroceder precisamente naqueles dossiês em que a generalidade da população até reconhece avanços e de que o Partido Socialista até vem congratular-se para fazer campanha eleitoral”, afirma a coordenadora do Bloco de Esquerda numa entrevista à agência Lusa que estará disponível na íntegra a 15 de setembro.

Catarina Martins fora inquirida sobre as declarações do ministro Mário Centeno no programa “Bloco Central” da TSF. Nele, o ministro das Finanças declarou que “há objetivos que são mais fáceis de atingir com maioria absoluta”. Centeno considera que “seria muito melhor uma maioria absoluta porque era mais rápido para o governo atuar nos dossiês do trabalho ou do sistema financeiro”.

“E, portanto, registo que Mário Centeno gostaria ter mãos livres para, talvez, fazer estes cortes ou avançar mais naqueles dossiês em que só se apoiou sempre na direita e que fazem com que o país gaste milhares de milhões de euros com o sistema financeiro e com isso perca capacidade de investimento no que é concreto, que as pessoas necessitam, Serviço Nacional de Saúde à cabeça”, critica Catarina Martins.

“O que é que incomoda ao Partido Socialista a força da esquerda?”, pergunta Catarina, comentando as declarações de Carlos Pereira, vice-presidente do PS, que afirmou ser necessário um Partido Socialista que possa governar “sem empecilhos”. 

“Foi para subir o salário mínimo nacional? Porque parece-me, para quem trabalha, ainda bem que a esquerda teve força para garantir a subida do salário mínimo nacional. Foi para descongelar as pensões e aumentá-las, em vez de congelá-las como o Partido Socialista prometia? Ainda bem que a esquerda teve força para o fazer”, elenca a coordenadora bloquista à Lusa.

Tudo isto “foi o que permitiu puxar pelas condições de vida do país”, concluindo que “é também por isso que uma maioria absoluta do PS é tão perigosa”.

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