Próximos cinco anos serão os mais quentes desde que há registos

18 de maio 2023 - 12:14

A Organização Meteorológica Mundial prevê que o aumento da temperatura média global ultrapasse a fasquia do 1,5°C em pelo menos um ano até 2027. O fenómeno El Niño e as alterações climáticas causadas por ação humana farão as temperaturas bater novos recordes.

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Pessoas em contraluz
Foto Maggie Lin Photography/Flickr

Segundo o relatório apresentado na quarta-feira pela Organização Meteorológica Mundial, o planeta vai assistir a temperaturas recorde nos próximos cinco anos, quando se fará sentir o fenómeno El Niño. A probabilidade de em pelo menos um desses cinco anos a temperatura média anual junto á superfície exceder o aumento de 1,5°C face à era pré-industrial é agora de 66%. Quase certo, com 98% de probabilidade nas contas desta agência da ONU, é que pelo menos um dos próximos cinco anos e na média do conjunto desses cinco anos, sejam os mais quentes desde que há registos. Ou seja, bater-se o recorde de 2016, um ano também influenciado pelo El Niño.

"Este relatório não significa que iremos ultrapassar em permanência o nível de 1,5°C previsto no Acordo de Paris, que se refere ao aquecimento de longo prazo ao longo de muitos anos. Contudo, a OMM está a fazer soar o alarme de que iremos quebrar esse nível de 1,5°C de forma temporária e com uma frequência cada vez maior", afirmou o secretário-geral da organização, Petteri Taalas.

A contribuir para o aquecimento global a partir dos próximos meses estará o fenómeno El Niño, que aumenta a temperatura das águas no Pacífico tropical e dá origem a aumento das temperaturas globais, com algumas regiões mais assoladas pela seca e outras pelas chuvas intensas. Com este fenómeno e as alterações climáticas causadas pela ação humana, a OMM prevê uma subida das temperaturas globais que "terá repercussões duradouras para a saúde, segurança alimentar, gestão da água e para o ambiente".

"Prevê-se que as temperaturas médias globais continuem a aumentar, afastando-nos cada vez mais do clima a que estávamos habituados", afirmou o autor principal do relatório, Leon Hermanson.

No ano passado, a temperatura média global esteve 1,15°C acima da média entre os anos 1850 e 1900, beneficiando do arrefecimento provocado pelo fenómeno La Niña, que terminou em março deste ano. Agora teremos o fenómeno contrário, embora geralmente o aumento das temperaturas globais apenas se registe um ano após o desenvolvimento do El Niño.

O relatório aponta ainda que o aquecimento no Ártico é "desproporcionalmente elevado" e que os próximos cinco anos haverá cada vez mais chuvas no verão nas regiões do Sahel, Europa do Norte, Alasca e no norte da Sibéria, e menos precipitação nesse período na Amazónia e em partes da Austrália.