Petrolífera Exxon sabia desde os anos 1970 do seu impacto no aquecimento global

13 de janeiro 2023 - 16:26

Estudo publicado na quinta-feira na revista Science revela que, entre 1977 e 2003, cientistas da Exxon fizeram projeções extremamente precisas no que respeita a quanto a queima de combustíveis fósseis aqueceria o planeta.

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Foto de Mike Mozart, Flickr.

No final da década de 1970, cientistas da Exxon equiparam um dos super-petroleiros da empresa com instrumentos de última geração para medir o dióxido de carbono no oceano e no ar. Dessa recolha resultaram inúmeros registos, que incluem memorandos internos e artigos revistos por pares publicados com investigadores académicos externos. Estes documentos de vária índole compõem a maior coleção pública de projeções de aquecimento global registadas por uma única empresa, segundo avança um grupo de investigadores da Universidade de Harvard e do Instituto Potsdam.

No geral, as projeções de aquecimento global da Exxon acompanharam de perto os aumentos de temperatura subsequentes de cerca de 0,2 graus Celsius de aquecimento global por década.

Os autores do estudo publicado na quinta-feira na revista Science referem que, de facto, cientistas da Exxon excluíram a possibilidade de não existir aquecimento global causado pelo homem e rejeitaram a expectativa de uma próxima era do gelo, alertando os executivos da petrolífera para a alterações climáticas “potencialmente catastróficas” causadas pelo homem.

Não obstante todas as evidências, a Exxon continuou o seu percurso de negacionismo climático. No ano passado, o atual executivo-chefe da Exxon, Darren Woods, alegou que as posições da empresa eram "totalmente consistentes" com o consenso científico da época. Durante anos, o gigante do petróleo questionou reiteradamente a ciência do clima e alertou contra qualquer alteração drástica na queima de combustíveis fósseis.

A Exxon promoveu uma estratégia de marketing, incluindo mediante a publicação de anúncios no The New York Times, em que enfatizava as incertezas na investigação científica sobre o aquecimento global. As projeções do aquecimento global “são baseadas em modelos climáticos completamente não comprovados ou, mais frequentemente, em pura especulação”, afirmou Lee Raymond, executivo-chefe da recém-fundida ExxonMobil Corp, numa reunião anual da empresa em 1999.

“Não temos agora uma compreensão científica suficiente das alterações climáticas para fazer previsões razoáveis e/ou justificar medidas drásticas”, escreveu o responsável no ano seguinte, em comunicado da empresa citado pelo The New York Times.

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