Dezenas de guineenses em Lisboa compareceram à chamada da associação cívica Firkidja di Pubis e da Juventude Africana Amílcar Cabral na tarde de sábado no Largo de São Domingos em Lisboa. O objetivo foi denunciar o golpe militar de 26 de novembro, que impediu a proclamação do resultado das presidenciais, cujas atas conhecidas davam a vitória ao candidato Fernando Dias da Costa e a derrota do atual Presidente Umaro Sissoco Embaló. Protestos semelhantes tiveram lugar no Porto, Paris, Londres. No Brasil houve um protesto no Ceará e para este domingo está agendado outro em São Paulo.
Guiné-Bissau
Líder do PAIGC detido pelos golpistas recusa comida e água na prisão
“Estamos aqui para denunciar a situação dos líderes políticos que se encontram presos por causa do golpe de Estado inventado pelo Presidente, Umaro Sissoco Embaló. Foi ele quem criou essa narrativa, envolvendo os militares, que estiveram ao seu lado durante todo o mandato. Agora, esses militares estão no poder”, disse à agência Lusa a manifestante Jurema Moura Carvalho.
Os manifestantes exigiram a libertação dos políticos presos no golpe. Entre eles está o líder do PAIGC Domingos Simões Pereira, que foi excluído da eleição presidencial graças a uma decisão muito contestada dos tribunais guineenses.
Para Mamadú Djuldé Djaló, da Firkidja di Pubis, a vontade do povo da Guiné-Bissau foi “sabotada por um falso golpe que impediu a conclusão do processo eleitoral” e colocou no poder o círculo próximo de Embaló. “Na verdade, continuamos com o ‘Sissoquismo’ na Guiné-Bissau, e isso é preocupante”, afirmou o ativista.
CPLP quer suspensão temporária da Guiné-Bissau
Numa reunião online na sexta-feira dos chefes de diplomacia dos países da CPLP, foi aprovada uma recomendação para a suspensão temporária da Guiné-Bissau, que ocupa a presidência rotativa da organização.
A reunião decidiu também "constituir uma Missão de Bons Ofícios de Alto Nível que será enviada para a Guiné-Bissau no mais breve período de tempo". Os ministros condenaram a interrupção do processo eleitoral, exigiram a libertação imediata e incondicional de todos os detidos e a retoma urgente da ordem constitucional.
A inação da CPLP desde o golpe militar tem sido criticada não só pelos manifestantes da diáspora guineense mas também dentro do país. “A CPLP não assume esta responsabilidade, não só histórica, mas também cultural, deixa tudo com a CEDEAO que não faz nada em relação à Guiné-Bissau”, disse à Lusa o analista guineense Lassana Cassama. A CEDEAO deverá anunciar medidas na cimeira de 14 de dezembro, mas nos bastidores já se fala num regresso de Embaló - que saiu do país no dia seguinte ao golpe -, apoiado pelos seus aliados africanos e também pelo presidente francês Emannuel Macron, o que resultaria na anulação das eleições que o derrotaram.