Milhares de pessoas manifestaram-se em Belgrado este sábado contra um projeto de mineração de lítio. Uma das principais pontes da capital da Sérvia foi bloqueada durante algum tempo e o movimento promete fazer o mesmo noutros pontos do país. Já no passado mês de abril muitos sérvios tinham saído à rua pelo mesmo motivo.
O protesto, convocado por cerca de 30 grupos ecologistas, também apresentou várias outras exigências ambientais num país considerado como dos mais poluídos da Europa. Os organizadores da ação culpam o governo por negligência e por estar fixado em políticas apenas olham para os lucros económicos que só beneficiam alguns.
Mas o pomo da discórdia é mesmo o projeto da multinacional anglo-australiana Rio Tinto de gastar 2,4 mil milhões de dólares, para construir no vale do rio Jadar, na parte ocidental da Sérvia, a maior mina de lítio da Europa, que é previsto produzir 58.000 toneladas de carbonato de lítio refinado para baterias de automóveis elétricos, o que tornaria a empresa numa das maiores produtoras deste metal do mundo. Mais de cem mil pessoas assinaram já uma petição para travar o negócio. Aleksandar Jovanovic, um dos organizadores do evento, declarou à Associated Press justifica a exigência dizendo que “querem dizer não àqueles que oferecem concentrado de ácido sulfúrico em vez de framboesas e mel”. A afirmação tem por base o facto da região onde a mina vai nascer ser predominante agrícola, temendo-se que sofra com o projeto.
Outra preocupação dos ambientalistas locais é que a Rio Tinto prevê deixar os detritos da mineração nos vales dos rios Korenita e Jadar, áreas que por vezes são inundadas, o que causaria problemas ambientais maiores.
A Reuters revelou um estudo de impacto ambiental, encomendado pela própria Rio Tinto à Faculdade de Biologia da Universidade de Belgrado, que conclui que a mina não deveria ser construída por causa do “estrago irreparável na biosfera” que iria causar. Segundo o documento “a implementação das atividades planeadas, especialmente a eliminação de resíduos industriais, prejudicará significativamente a biodiversidade em toda a área das obras previstas”. Para além disso, nas zonas primárias de influência da mina “haverá uma destruição completa e direta dos habitats com o desaparecimento de todos os organismos que nele habitam”.
A multinacional defende-se dizendo que este estudo é apenas parte de um estudo mais alargado de viabilidade e que será preciso mais investigação de forma a aplicar “as soluções mais avançadas e mais caras na proteção da natureza, que iriam minimizar o impacto”.