Pouco mais de 150 pessoas foram na madrugada desta sexta-feira, ao concerto do rapper jamaicano Sizzla Kalonji, que se realizou numa sala do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Sizzla Kalonji é conhecido pelo cariz marcadamente homofóbico, discriminatório e incitador de violência das letras das canções. Os ativistas aguentaram firme, apesar do mau tempo, distribuindo panfletos, empunhando cartazes e procurando consciencializar as pessoas que acorriam para ouvir o cantor. “A manifestação foi bastante tranquila, procurámos demonstrar o nosso repúdio pela realização do concerto”, disse ao Esquerda.net Paulo Vieira, da associação Não te Prives.
Um espectador que insultou os manifestantes acabou por ser detido pela polícia por injúrias e levado à esquadra do Rossio.
O concerto que estava inicialmente previsto para o Festival TMN Ao Vivo, nos Armazéns F em Lisboa, foi cancelado devido a pressões de ativistas dos direitos humanos e posteriormente transferido para o Coliseu dos Recreios. A RTP anunciou também que retirava o apoio publicitário ao concerto, que era feito através da RDP África.
Concertos do rapper previstos para Espanha, Reino Unido, Suécia e Bélgica acabaram por ser cancelados.
IGAC alega falta de mecanismos legais que permitissem cancelar concerto
Depois de ter recebido várias queixas, a Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) analisou a possibilidade de cancelar a autorização para o concerto, mas concluiu que não existem mecanismos legais que lhe permitam fazê-lo.
"O que fizemos foi tentar saber se havia alguma entidade pública que impedisse a discriminação sexual. Percebemos que para a discriminação de género existe uma entidade, mas para a discriminação sexual não há nenhuma", disse ao Jornal de Notícias a sub-inspetora geral do IGAC Paula Hipólito.
Segundo a sub-inspetora, a procuradora de turno do DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal), alertou o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa para que deslocasse para o local uma brigada, de modo a impedir que o cantor pudesse incitar a plateia à violência ou ao ódio homofóbico.
Entre os apelos homofóbicos que Sizzla multiplica nas suas músicas estão: "Shot battybwoy, my big gun boom" (Dispara contra os maricas, a minha pistola faz boom). Na música "Boom Boom": "Boom boom! Batty boy them fi dead" (Boom boom! Os maricas devem morrer). Em "Get To Da Point": “Sodomite and batty bwaimi seh a death fi dem” (Sodomitas e maricas, eu digo: morte para eles).
Em declarações à SIC, Sérgio Vitorino, do coletivo Panteras Rosa, declarou que a realização deste concerto ditava a “morte do Coliseu” enquanto sala de espetáculos para outros cantores. Anabela Rocha, também dos Panteras Rosa, frisou que “caso o concerto se realize aqui vamos informar todos os cantores LGBT friendly realmente qual é a casa onde eles vão atuar”. As cantoras brasileiras Simone e Maria Gadú irão atuar nesta casa de espetáculos em Abril e Maio respetivamente.