Propostas económicas da direita são "exercício de ilusionismo

29 de janeiro 2024 - 20:03

Mariana Mortágua desmontou as propostas fiscais e o cenário macroeconómico de Luís Montenegro, acusando a AD de prometer medidas que ou não se aplicam a quase ninguém ou só beneficiam os mais ricos.

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Luís Montenegro na Convenção da AD
Luís Montenegro na Convenção da AD. Foto PSD/Flickr

Na apresentação das contas das medidas do programa eleitoral do Bloco de Esquerda, as primeiras palavras de Mariana Mortágua foram para desmontar as propostas já apresentadas pelo líder do PSD. A começar pelo seu cenário macroeconómico e a acabar nas "contas que não estão explicadas e as medidas que não têm contas certas nem contas feitas". Quanto ao primeiro, Mariana Mortágua não compreende em que se baseia a previsão de crescimento económico da AD, que corresponde à
média do crescimento económico dos cinco anos antes da pandemia, uma vez que todos os economistas preveem que no próximo período o investimento será em média menor do que nesse tempo e a procura externa se encontra estagnada.

Quanto às medidas apresentadas por Luís Montenegro, Mariana Mortágua considera-as um "exercício de ilusionismo". Deu o exemplo da promessa de subir o salário médio para 1.750 euros, que não é possível sem o reforço da contratação coletiva, a que a direita se opõe ferozmente. Outra das medidas, apresentada como "um 15º mês", na verdade não o é, pois ele "não é obrigatório" para as empresas e "é pago fora do salário", ou seja, como um prémio que não conta para efeitos de reforma.

No que diz respeito à promessa de redução do IRS dos jovens para 15%, Mariana Mortágua lembra que em média o IRS pago em Portugal são 13,5%. "Saberá o PSD que só os 20% mais ricos pagam uma taxa de IRS acima dos 13%?", questiona, concluindo que a proposta "não é para ninguém porque não há nenhum jovem com os salários de hoje que possa beneficiar" com ela.

Sobre a promessa de Montenegro de reduzir o IRC para 15%, a coordenadora bloquista diz que a medida só beneficia "as maiores das maiores empresas". Como 43% das empresas não pagam IRC e 99,9% das empresas são PME que já têm IRC reduzido, assim como têm as startups, trata-se na verdade de "uma redução para os acionistas da ANA, da EDP, da REN, das grandes empresas em Portugal".

A coordenadora do Bloco referiu também a promessa de Montenegro que começou no Congresso do PSD por ser um aumento das pensões que abrangeria dois milhões de pessoas para depois afinal ser explicado que era o aumento do valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI), reduzindo o alcance da medida a 134 mil pessoas. O problema, diz Mariana Mortágua, é que há um milhão de idosos na pobreza que não têm acesso ao CSI por causa do rendimento dos filhos e essa "é uma regra que o PSD não quer mudar". Assim, a proposta de Montenegro para aumentar o limiar do CSI para 820 euros "chega a pouca gente ou quase ninguém". E se o valor de referência continuasse a subir como tem subido nos últimos anos, de forma natural chegaria a um valor muito próximo do que propõe o PSD, apontou.