A Associação Académica de Coimbra lançou um Estudo Comparativo dos Custos Associados à Frequência do Ensino Superior na União Europeia no qual se mostra que as propinas no ensino superior em Portugal, de 697 euros, estão perto de ser o dobro da média europeia, 381 euros. O mesmo revela ainda que o país fica bem abaixo da média em termos de apoios estatais aos alunos.
De acordo com o documento, Portugal tem a sétima propina do ensino superior mais cara da União Europeia. Por outro lado, a média de apoios do espaço comunitário é de 2.336,77 euros. Em Portugal, fica-se pelos 872 euros.
O desempenho abaixo da média também fica patente noutro indicador. Portugal investe 0,9% do PIB no ensino superior. A média da UE está nos 1,17%. Conclui-se assim que “a tendência europeia demonstra um forte investimento no apoio a estudantes, enquanto Portugal mantêm um modelo de financiamento mais restritivo, o que pode ter consequências negativas no acesso e na equidade no ensino superior”
Daí que se recomende um aumento “urgente” do financiamento público com um modelo de gratuitidade das propinas e a revisão da lei de bases da ação social no ensino superior.
Ao Jornal de Notícias, o presidente da AAC, Carlos Magalhães, defende que a redução das propinas seja gradual, ao longo de três anos, “com o intuito mesmo de procurar algo sustentável e que o Governo consiga praticar”.
Para o dirigente associativo, o preço da habitação e outros custos “são quase insustentáveis ao longo do seu percurso estudantil”. Carlos Magalhães diz que é preciso repensar a ação social e a atribuição de bolsas, vincando que é preciso, em primeiro lugar, que estas acompanhem a inflação.