O jornal Público avança que, desde o final do ano civil de 2019 e os primeiros meses de 2022, o valor das propinas em atraso subiu quase dez milhões de euros, o equivalente a 35%. No caso do Politécnico do Porto, o aumento foi de 40% e, na Universidade de Coimbra, fixou-se em cerca de 30%. Já no Politécnico de Bragança, o montante em dívida saltou de 657 mil euros para 1,1 milhões, ou seja, registou-se um agravamento de quase 70%.
O presidente do Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues, considera que “este crescimento se deve à pandemia”, já que, “nos períodos anteriores, o valor de propinas em dívida mantinha-se estável”. Este aumento foi mais acentuado logo no primeiro ano da covid-19, subindo o total em dívida para 889 mil euros.
O mesmo entendimento é partilhado pelo presidente do Politécnico de Coimbra, onde o valor da dívida dos estudantes aumentou 55%, alcançando atualmente os 1,8 milhões de euros.
Os resultados de um questionário sobre o efeito da pandemia promovido pela Federação Académica de Lisboa (FAL) revela que “mais de um quarto” dos estudantes “viu os rendimentos das suas famílias serem afetados durante esse período. O presidente da FAL, João Machado, frisa que os valores de propinas em dívida podem, inclusive, ser reflexo do aumento do abandono escolar.
Efetivamente, dados da Direção-Geral do Ensino Superior apontam para uma subida do abandono: nas licenciaturas de 8,8 para 9,1% e, nos mestrados integrados, de 3,4% para 3,7%.
Mas, conforme advertem as associações de estudantes, estes dados podem inclusive, estar sub-inflacionados, existindo uma realidade “mais grave”.
A presidente da Federação Académica do Porto, Ana Gabriela Cavilhas, acredita que a problemática das propinas em atraso e do abandono recai “sobretudo um grupo de estudantes que não usufruem de acção social escolar”.
“São estudantes de classe média e média-baixa cujos rendimentos familiares ficam a muito pouca distância do valor definido para ter acesso aos apoios e que, por isso, não usufruem da bolsa de estudo”, sublinha.